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Hipnose e Dependência Química

Por dependência química compreenda-se o uso de um químico sem o qual não haverá uma atividade "plena", seja em sentido orgânico ou psíquico, em maior ou menor intensidade. Entende-se, portanto, por dependência química orgânica, a necessidade, em maior ou menor intensidade o uso de uma substância química para ocorrer o funcionamento do corpo de maneira satisfatória.

Definindo assim dependência química psíquica como a necessidade em maior ou menor nível de uma droga para lidar com diferentes aspectos do dia a dia. A dependência química orgânica leva até 10 dias para acabar, desde o começo do tratamento, restando a dependência química psíquica.

A dependência química psíquica (DQP) encontra suas bases em dois aspectos: aumentar, buscar ou manter prazer (sensações agradáveis) e evitar, diminuir ou acabar com dor (sensações desagradáveis). As drogas tidas como as maiores provocadoras deste tipo de dependência são as que atingem o sistema nervoso de maneira mais intensa e imediata, algumas demoram de 15 a 20 minutos (como o álcool e a maconha) e outras até 1 minuto como a cocaína e o crack.

Nesse momento é útil comentar sobre o instinto, entendido aqui como a busca de sensações agradáveis e a fuga de sensações desagradáveis, sendo esses dois processos os movimentos de todo e qualquer estímulo bio-físico-químico provocadores de prazer e/ou fuga de dores (como esportes, radicais ou não, sexo, álcool, cafeína, maconha, cocaína e outros) passíveis de originar DQP, na medida em que não souber lidar de maneira temperada com esses estímulos. Portanto, dizer não ao prazer e sim à dor são movimentos contrários à natureza animal, e, portanto, humana.

Assim, por que alguém diria não às drogas? (aqui compreendidas como qualquer processo utilizado com a intenção de trazer prazer ou tirar a dor). Duas possíveis respostas: traz mais dor que prazer na relação (custo/benefício), tempo e/ou é imoral. Sendo, moral entendida enquanto qualquer regra ou sistema dessas que proponha uma forma de como viver seja cristã, muçulmana, das leis de um país ou estado, mídia, família, amigos, o próprio indivíduo e outros.

Levando em conta as idéias acima expostas, pode-se pensar em 5 diferentes possíveis maneiras de como lidar com drogas: (1) aprender a dizer não ao prazer, (2) aprender a lidar com as dores da vida de outras maneiras, (3) aprender a ter outras fontes de prazer, (4) diminuir o prazer e/ou velocidade com que a droga atinge o sistema nervoso e (5) aprender a lidar com a droga de maneira temperada, sendo esse talvez o mais difícil. Como cada um desses processos seria feito dependeria de cada profissional, caso fosse necessário, e/ou do indivíduo.

Alguns aspectos da "cultura brasileira" atual facilitadores da DQP:
Siga seu "coração"/ sonhos/ sentimentos sem questioná-los.
1- Estas propostas freqüentes de alguns "músicos", "artistas", "poetas" e "filósofos", quando aceitas, levam alguém a fazer o que lhes faz bem de maneira imediata, independente por vezes de seus resultados e implicações, criando diferentes possíveis problemas, reversíveis ou não.
2- A falta de questionamento é muitas vezes baseada no princípio de que existe em cada Ser Humano uma parte do "espírito" naturalmente boa e que sempre mostrará o caminho certo. Essas noções são no mínimo desprovidas de considerações científicas, as quais caso não sejam suficientes, suas dolorosas implicações são facilmente demonstráveis na observação da vida de muitos.
3- Questionar a si provoca muitas vezes dores, inseguranças, crises, baixa de auto-estima e outros, indo, portanto, novamente contra o instinto.

O que importa é ser feliz não importa com o quê.
1- A falta de uma moral para governar o prazer, esse sendo tomado de maneira vulgar como sendo a felicidade em si, implicando numa busca muitas vezes atropelada e desgovernada de imediatos, intensos e diferentes prazeres, sendo esse outro ponto passível de levar à utilização de drogas de maneira imprudente, sendo mais ou menos complicadas de como utilizá-las de maneira saudável.
2- A noção moral aqui é buscar o prazer, podendo até mesmo provocar culpa (sentimento advindo do pensar ter feito algo errado) por não ter "aproveitado a vida", tê-la "jogado fora" e outros.

É preferível viver 10 anos a "1000 km/h" do que 1000 anos a "10 km/h".
1- Colocada de maneira desenfreada e não questionada esta frase, o que importa é a intensidade, a diversificação e o imediatismo. Essas posturas podem ter implicações das mais diferentes, como ansiedade, distress e drogas.
2- Uma das possíveis implicações são as buscas de relacionamentos rápidos desprovidos de uma intimidade além dos corpos. Esta pode ser uma das maneiras de "esvaziar" um relacionamento, podendo se tornar até mesmo um obstáculo para levá-los a serem mais constantes, pois, entre outras possibilidades, as intensidades de prazeres tendem a modificarem na medida em que o tempo passar.

Expostas essas breves idéias é razoável afirmar que a utilização de drogas deve ser feita segundo alguns critérios:
- Conhecer os possíveis efeitos de determinada droga no corpo e psique segundo seus químicos e respectivas quantidades.
- Ter claros os próprios limites em termos de saber com quanto prazer o indivíduo pode lidar, assim como possíveis atitudes e efeitos desse. Uma vez claros, não ultrapassá-los.
- Aprender a lidar com dificuldades de outras maneiras.
- Aprender a dizer não ao prazer na medida em que esse puder prejudicar a si e/ou outros.
- Ter outras fontes de prazer.


Bayard Galvão

 
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