Transe é pensar de maneira intensa e hipnose é o nome dado a diferentes fenômenos induzidos durante o pensar intenso. Pode-se pensar hipnoterapia com crianças a partir de basicamente 3 aspectos: pensar intensificado, hipermnésia e pseudo-orientação no futuro. Colocando que a forma mais eficiente de tratá-las será através de histórias, colocando-as em transe com essas.
Por crianças compreender-se-á desde os indivíduos capazes de compreender algumas palavras com poucos meses de idade até uma nomenclatura qualquer (pré-adolescência, adolescência, idade adulta e outros) baseada em fisiologia, idade, forma de ser ou qualquer outro aspecto arbitrário.
A psique das crianças se difere da dos adultos por distintas razões: (1) finalização da formação do sistema nervoso, geralmente aos 7 anos, embora obviamente havendo formação de rede neural; (2) menos referências de apreensões e raciocínios; (3) referências utilizadas menos vezes do que a de quando serão adultas, (4) noção de diferenciação de apreensão (fatos objetivos) e raciocínio (fatos subjetivos) relativamente baixa e (5) poucas experiências (utilização da apreensão e raciocínio).
As mesmas necessidades em psicoterapia com adulto são verificáveis com crianças: buscar um diagnóstico (formas de pensar que provocam o problema), meta (o que é quisto que a criança pense) e intervenção (forma de atingir a meta).
Baseado nessas idéias portanto, o seguinte processo é indicado no trabalho com crianças:
1- diagnóstico: vale comentar ser este a forma de pensar que provoca o problema ou não possibilita a resolução dele, sendo então a pergunta: como descobrir a forma de pensar de uma criança que provoca as dores ou impede de lidar com elas de forma mais saudável? Levando em conta a Realidade Individual (RI) da criança, a resposta deve ser: criar situações onde o paciente, dentro da sua RI mostrará as suas idéias e formas de organizá-las. Algumas formas de possibilitar um diagnóstico podem ser: (1) pedir para contar uma história baseada em um desenho qualquer dela, ou qualquer outra figura, podendo intencionalmente mostrar algo que seja facilmente remetido por ela às pessoas com as quais convive e/ou situações passadas, perguntando o que ocorre, ocorreu e/ou como talvez ela gostaria que ocorresse. Aqui podendo ser dentificadas aprendizagens dolorosas, situações indesejáveis e/ou faltas, percebidas ou não pela criança.
Notas :
- esse não é um processo de interpretação baseado em como as crianças funcionam, mas como aquele indivíduo com pouca idade pensa, não há uma noção de movimentação psíquica a priori , ela é na sua essência formada pela forma de pensar dela, observada pelo terapeuta;
- devido ao fato de crianças poderem ter facilidade para confundir apreensões e raciocínios, ou seja, "realidade" e "fantasia", é necessário haver um cuidado triplicado acerca de inferências sobre o passado ou situações atuais da criança, de forma a não ser provocada pseudo-memória de maneira não intencional, nem tampouco iatrogenia;
- pode ser importante pedir à criança para falar quais as frases e situações mais comuns ouvidas e/ou vistas no dia a dia, essa possibilidade é uma das formas de criar hipóteses sobre aprendizagens que possa estar tendo.
2- meta: entendo-se essa como a forma de pensar refletida pelo terapeuta, em conjunto e/ou a partir dos pais ou não, ela deve ser feita a partir do diagnóstico, o qual pode ser pensado de 2 formas básicas: aprendizagens indesejáveis e/ou falta de aprendizagens necessárias para lidar com as dificuldades atuais.
Notas :
- a suposta neutralidade do terapeuta referente a qualquer situação é fictícia, de alguma forma ele interfirirá, com auxílio e/ou através dos pais ou não. Assim posto, admitir a sua responsabilidade frente ao bem-estar daquele indivíduo é fundamental, até mesmo porque, de diferentes maneiras, a noção passada à criança pode ser tornada referência por toda a sua vida;
- quanto mais o terapeuta influir na vida de alguém, mais ele deve, no mínimo, ter questionado sobre possíveis formas de viver bem e não ter apenas uma.
3- intervenção : esse é o processo de atingir a meta, para tanto, é necessário saber os recursos disponíveis para tal objetivo, assim como possíveis obstáculos. Devido ao fato de crianças terem em geral grande influência daqueles que a circundam, deve ser feita uma lista de quem estaria disposto a participar da terapia, pai, mãe, babá, amigos, avós, familiares, empregadas e qualquer outra pessoa disponível para o trabalho em questão.
A outra parte do levantamento é ter claras as coisas comuns à criança no dia a dia, assim como as sapiências dela, afim de utilizá-las na intervenção.
Nota :
- as quatro formas mais comuns (não únicas) de intervir com crianças em Psicoterapia Estratégica, no caso, são: (I) histórias, (II) tarefas para ela e/ou auxiliares cuidadosamente preparadas, (III) pseudo-orientação no futuro para firmar aprendizagens saudáveis e/ou recursos e (IV) hipermnésia, devendo ser essa feita a partir de alguns critérios: (1) se for direcionada a aprendizagens indesejáveis já sabidas, deve haver a prudência de verificar as condições da criança de aprender a lidar de forma mais saudável com elas; se (2) não for sabido o que ocorreu, ter claros os recursos das diferentes idades para saber conversar com ela nessas situações devido a situações inesperadas e (3) reafirmar recursos. |