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HIPNOSE E PSICOLOGIA
A Psicologia, em termos etimológicos, é o estudo da psique. Tendo geralmente como finalidade, conhecer e intervir nela para o paciente ter um viver melhor. Tanto o estudo como a intervenção, terão lugar de acordo com diferentes métodos de compreensão desta, os quais totalizam hoje em dia mais de duas centenas. Os diferentes acontecimentos que ocorrem com o Ser Humano terão portanto tantas explicações quantos forem os métodos, sendo portanto lúcido alegarmos que existem tantas formas de provocar um auto-conhecimento quantas forem as maneiras de estudar o Homem. Até onde é conhecido, não existe nenhuma teoria referente à hipnose nem tampouco formas de utilizá-la e induzi-la, embora algumas escolas teóricas tenham em suas origens o seu uso, como a psicanálise com Sigmund Freud. As definições, classificações, descrições e usos da Hipnose na Psicologia se darão aqui, a partir do ponto de vista da Hipnoterapia Educativa, a qual foi desenvolvida em grande parte a partir dos trabalhos de Milton H. Erickson (1901-1980). É importante a princípio diferenciar fisiológicamente três palavras sinônimas: relaxamento, transe e hipnose. Relaxamento - é a diminuição da atividade, seja física, seja do pensar (meditação, limpar a mente ou pensar em nada); Transe - é o pensar em alguma coisa de forma intensa (alta focalização da atenção ou alta absorção da atenção); Hipnose - é o nome dado a uma ou mais alterações específicas do pensamento das quais algumas, ocorrem em maior ou menor intensidade, sendo provocadas numa situação onde são esperadas tais alterações. Embora as alterações específicas mais conhecidas sejam hipermnésia, amnésia, regressão de idade e anestesia, existem outras como alucinação positiva e negativa, duplicação de sistemas de raciocínio (aqui inserida a escrita automática), o pensar a si, dissociação de elementos, sugestões pré e pós-hipnóticas, pseudo-orientação do futuro, progressão de idade, analgesia, hiperestesia, associação de elementos e estados (aqui incluído signo-sinal). Cada uma das alterações representando uma maneira específica do pensar e seus processos em determinado momento, sendo os impactos destes no corpo ainda pouco explicados em termos fisiológicos, como no caso do efeito placebo. Tendo cada uma delas inúmeras potencialidades de trabalho terapêutico e de conhecimento do pensar humano. As alterações ocorrem devido a quatro aspectos fundamentais, são eles: a intensidade da atividade do pensar em algo, o que é feito comum ao pensar do paciente por ele mesmo e/ou pelo hipnoterapeuta, a história do pensamento e o sistema orgânico que possibilite o pensar, sendo que este altera o sistema. Tanto a hipnose como o transe podem ser utilizados em diferentes áreas humanas e biológicas, como o estudo do impacto do pensar sobre o corpo, psicoterapia, odontologia, formação do pensar e intervenção em quadros psiquiátricos. Sentimentos são alterações fisiológicas sentidas, percebidas ou não. Elas podem ter duas origens básicas: a orgânica, como um corte, um toque e uso de alguma substância química; e a do pensar, como luto, amor, ódio e tristeza; sendo que elas podem estar em conjunto. Sendo passíveis de serem classificadas de duas grandes formas, seja qual for a origem: o prazer, o qual são alterações fisiológicas ditas agradáveis por quem as sente; e a dor, a qual são alterações fisiológicas ditas desagradáveis por quem as sente. As perguntas que direcionam a Hipnoterapia Educativa são três: - O que o paciente precisa aprender para superar determinado problema (o que dependerá da anamnese e diagnóstico do pensar do paciente)? - Como determinada pessoa aprenderá dentro de sua forma única de ser determinada coisa (utilizando aqui transe, hipnose, tarefas e outros)? - Como determinada pessoa pode se tornar senhora de seus pensamentos e sentimentos? A Hipnoterapia Educativa usa transe e hipnose em psicoterapia com uma função: um pensar melhor do paciente com o que quer que seja, de acordo ou não com este, dependendo da situação. Sendo este pensar possibilitado de acordo com a forma única de ser do paciente, tendo sido esta maneira de raciocinar e possibilitar a intervenção denominada de utilização por Milton H. Erickson. Autor: Bayard V. Galvão Hipnoterapeuta e Psicólogo Clínico. Diretor Presidente do Instituto Milton H. Erickson de São Paulo.
HIPNOTERAPIA & PSICOSSOMÁTICA
O ser humano é um animal dotado de atividades orgânicas (incluindo reflexos), e de cinco sentidos. Estes possibilitarão os sentimentos de dor ou prazer que, por sua vez apreendem (os sentidos) o que o cerca, e o que acontece no organismo, possibilitando o ensinar, mover, caminhar e falar. Os cinco sentidos se dão à partir de processos químicos, físicos e biológicos, os quais formarão a memória. À partir da qual será possibilitado o caminho inverso, o acionamento de processos químicos, físicos e biológicos à partir do que já se apreendeu deles, com a diferença de que o pensamento possibilita novas articulações do que foi apreendido. Portanto produzindo novas alterações fisiológicas que caso, sejam sentidas ou percebidas, passando então a fazer parte do pensamento. Os sentidos são as formas pelas quais o ser humano apreende o que o cerca: - olfato – através de acontecimentos químicos, físicos e biológicos, o organismo sente (ou percebe) as substâncias gasosas que o cercam; - gustação – através de acontecimentos químicos, físicos e biológicos, o organismo sente (ou percebe) o que passa pela língua; - tato – através de acontecimentos químicos, físicos e biológicos na ou sob a pele, o organismo sente (ou percebe) o estado do corpo; - visão – através de acontecimentos químicos, físicos e biológicos o organismo sente (ou percebe) o que se passa visualmente; - audição – através de acontecimentos químicos, físicos e biológicos, o organismo sente (ou percebe) o que se passa sonoramente. Sentir é usar os sentidos. A formação do pensamento se dá à partir das apreensões do mundo e suas articulações, a estes acontecimentos, dá-se o nome de razão , podendo as articulações se tornarem automáticas ou não, como a cor branca e a palavra branco. Todos os animais dotados de sentidos terão a razão, diferindo apenas em termos de níveis. Sendo assim o único animal capaz de raciocínios complexamente subjetivos é o ser humano. Pensamento é o que foi formado a partir da razão. Sentimentos são alterações fisiológicas (como amor, ódio, dor e outros) sentidas, percebidas ou não, sob ou sobre a pele. Os sentimentos se dividem em duas grandes classes, a saber: dor ou prazer. Duas são as origens destas alterações fisiológicas (que podem ou não ocorrerem simultaneamente), a saber: pensamento e/ou orgânico. Prazer são alterações fisiológicas sentidas, percebidas ou não, ditas agradáveis por quem as sente. Dor são alterações fisiológicas sentidas, percebidas ou não, ditas desagradáveis por quem as sente. Percepção é a possibilidade do pensar, de conhecer algo à partir do que já foi um dia pensado. Atenção é a direção daquilo que nossos sentidos apreendem do ambiente, o que não estiver neste foco, não afetará diretamente o pensamento e nem o sentimento. A direção dos sentidos é governada de acordo com a história de cada pessoa, a qual, é o que foi apreendido pelos sentidos, e associados ou articulados de alguma forma entre si, a própria memória. A única forma de afetar o pensamento não vindo dos sentidos, articulações e história destes, seria a de alguma alteração fisiológica com origem orgânica. Transe é um estado altamente focalizado de atenção, onde as noções do sob e sobre a pele do indivíduo perdem referência em maior ou menor escala, vivendo-se a realidade do foco do transe. Pode ser provocada pelo próprio sujeito (de forma percebida ou não) sem contato com os acontecimentos (como um devaneio), por acontecimentos (como um filme), ou por ambos (como num contexto psicoterapêutico do tipo desenvolvido por Milton H. Erickson). O que se passa durante um transe dependerá do conteúdo do estado, que claramente estará mais ampliado e nítido. O impacto do pensamento sobre o corpo quando uma pessoa está em transe é aumentado. Hipnoterapia é o uso em psicoterapia de uma ou mais alterações do pensamento que ocorre em maior ou menor intensidade a partir dos seguintes aspectos: intensidade da atenção, pensamento desenvolvido a partir do próprio sujeito ou do que foi comunicado pelo hipnotista, história do pensamento e sistemas que possibilitam este, que são por sua vez, influenciados pelo pensar. Psicossomática é a produção no corpo à partir do que um dia se apreendeu dele. Devido à razão, são provocadas no corpo alterações químicas, físicas e biológicas, novas (devido à articulações novas do pensamento) ou antigas. Distúrbios Psicossomáticos seriam portanto, distúrbio orgânicos provocados pelo pensamento, sendo caracterizados a partir das seguintes idéias: gravidade, qualidade, intensidade e ocorrência. As formas de trabalha-los são tão variáveis quanto as possibilidades de alterações do pensamento(já que este os provocam), automaticamente ou não, de forma percebida ou não. O uso do transe aumenta o impacto do pensamento sobre o corpo, às alterações fisiológicas provocadas pelo pensamento dar-se-á o nome de sentimentos (não entrando aquelas com origem puramente orgânica, como o uso de um psicotrópico), talvez mais especificamente, a questão psicossomática. A hipnose é um meio para se pesquisar os diferentes pensares e seus efeitos sobre o corpo, além da história do pensar e portanto sentir, que será por sua vez mais rapidamente alterado. Autor: Bayard V. Galvão Hipnoterapeuta e Psicólogo Clínico. Diretor Presidente do Instituto Milton H. Erickson de São Paulo.
HIPNOSE E PSIQUIATRIA
A Hipnose na Psiquiatria pode ser complementar, enquanto Psiquiatria influi na consciência via química, a Hipnose influiria via à própria mente. Embora diferentes hipnoterapeutas com formação psiquiátrica considerem algumas pessoas com distúrbios como sendo não hipnotizáveis, outros (ou os mesmos), acham perigoso a utilização da Hipnose em diferentes quadros psiquiátricos como a esquizofrenia. A resposta a estas colocações nos trazem duas idéias: a pessoa será hipnotizável se estiver com a possibilidade de focalização da atenção, porém pode estar comprometida durante um surto, ou enquanto alcoolizada (ou outras drogas), ou com sono. A contra-indicação na utilização da Hipnose estará relacionada ao fato da pessoa poder focar a atenção, mas não conseguir ter um raciocínio de acordo com o colocado pelo hipnoterapeuta. A utilização da hipnose com as medicações psiquiátricas não tem contra-indicação. Considerando, entretanto que caso a medicação entorpeça a possibilidade da focalização da atenção de forma intensa, a hipnose não acontece. Relativo ao processo indicado pode-se salientar o uso inicial de medicação e hipnoterapia, e na medida em que a pessoa melhorasse, a medicação seria diminuída até extingui-la num momento razoável. É discutível ainda se uma pessoa, não importando a situação, poderia prescindir da medicação com a utilização da hipnose. É mais razoável pensar em termos de desenvolver o processo e, na medida do possível, diminuir o uso dos medicamentos.
Autor: Bayard V. Galvão Hipnoterapeuta e Psicólogo Clínico. Diretor Presidente do Instituto Milton H. Erickson de São Paulo.
HIPNOSE E MEDICINA
Comentar sobre a utilização da hipnose/transe na medicina é falar do impacto do pensar e suas diferentes formas específicas, Ocorrendo nas alterações fisiológicas. A hipnose tem duas grandes possibilidades de uso: a compreensão da mente humana, incluindo seus impactos no corpo em termos de funcionamento neural e bioquímico; e o impacto da mente no corpo. Em termos de Medicina, as formas especificas de pensar (chamadas hipnose) mais conhecidas são: anestesia e analgesia, tanto pela relativa simplicidade de uso, como pelo resultado imediato. Atualmente está cada vez mais claro a possibilidade de diferentes distúrbios orgânicos que podem ser originados pela psique, desde alergias até câncer. Uma das formas de trabalhar com estas situações de uma forma relativamente rápida é através da hipnose. Um outro possível uso que vem sendo desenvolvido é a hipnose ou o relaxamento em pré e pós-operatório, mostrando uma melhora clara em termos de complicações e tempo de internação. Ainda outra possível aplicação, porém pouco desenvolvida, é o mapeamento do funcionamento neural de cada indivíduo através das formas específicas de pensar. À medida que o impacto da mente sobre o corpo for cada vez melhor explicado, com a hipnose ou não, mais possibilidades de uso desta surgirão.
HIPNOSE E ODONTOLOGIA
A hipnose quando utilizada na Odontologia permite um amplo território de aplicações. Pois no dia-a-dia dos consultórios, os mais variados tipos de pacientes surgem, apresentando problemas dos mais diferenciados. Com recursos utilizados e desfrutados pela hipnose, estes problemas podem ser resolvidos em quase a sua totalidade. Muitas vezes por medo, trauma, ansiedade ou angústia, alguns pacientes interferem no êxito do tratamento odontológico. Ao se depararem com estes problemas os profissionais desta área podem observar no paciente uma série de sintomas e sensações como: sudorese, falta de ar, mãos frias, enjôo, dores na região cervical, desmaios, tonturas, dificuldades em relaxar a mandíbula para uma abertura adequada as intervenções, anestesias podem não obter o efeito desejado pelo nível de nervosismo, e muitas outras ocorrências nas suas mais diversas formas e características. Fazendo o uso da hipnose nos consultórios odontológicos podem-se permitir o controle das dificuldades habituais tais como: Controle de · abertura bucal; Controle dos movimentos da língua; · Controle da · salivação; Controle de espasmos dos músculos da mandíbula; · Controle · das sensações ocasionadas pelo nosso ambiente de trabalho: equipamentos, som da alta rotação, mascaras, luvas etc; Controle da tensão corporal; · · Controle de náuseas; Anestesia ; · Analgesia ; · Hemostasia. · Uma conduta terapêutica, servindo como embasamento científico e, com a simples prática curativa, a hipnose não tem por finalidade denegrir qualquer paciente sentado na cadeira odontológica. Respaldando-se de toda ética da odontologia, o objetivo da utilização da hipnose nos consultórios é permitir e facilitar um pronto, rápido e indolor tratamento aos pacientes.
José Rodolpho Bueno de Moura Crosp-22.462
Educação e Hipnoterapia Educativa
Quando a palavra educação é citada hoje em dia, muitas vezes entende-se geografia, história, matemática, inglês, química, etc. Por educação, compreenda-se: formar o Homem. Entretanto, faz parte da formação do homem os seus conhecimentos em diferentes áreas, além das mencionadas, a saber: formação dos valores, crítica, “aprender a pescar”, ou ainda, aprender a aprender. Poderíamos entrar em longas discussões com relação a cada um destes conceitos, como tem sido feito por séculos. Então o façamos, mas, que não fujamos deste dever (débito) para com quem possibilitou o nosso pensar e viver (bem na medida do possível) e está por possibilitar. A crítica constante que faz-se nos diferentes meios de comunicação, é a necessidade do bem alimentar, bem “educar”, boa saúde e bem habitar dos menos favorecidos. Esta é uma necessidade sem a menor dúvida, mas tão importante quanto, é a necessidade de uma melhor formação de valores e pensares daqueles que “criam” a “educação” e a vida dos menos favorecidos, de forma direta ou indireta. A melhor possibilidade da hipnose, é que talvez durante o seu processo, poderemos entrar em contato com modelos já aprendidos de pensamento e sentimento, de forma percebida ou não mudando-os. Portanto, a maior vantagem da hipnose é comprovar, de diferentes formas, que podemos nos tornar “mestres” dos nossos sentimentos, e não escravos deles. Usar a expressão: “seguir o seu coração” não é de forma alguma diferente de dizer: “siga as suas aprendizagens que você teve um dia, de forma percebida ou não, escolhida ou não”. A idéia de seguir o coração portanto, não é diferente de: siga o seu passado. O que seria em grande parte dizer: repita o que já foi feito, de forma escolhida ou não. As perguntas portanto são: - O que deveríamos pensar? - Como possibilitar este pensar? - Pelo que vale a pena viver? - O que é importante? Ou, o que deveria ser importante? Talvez mais do que responder a estas perguntas, seja a possibilidade de fazê-las e pensar sobre elas e suas respostas.
Autor: Bayard V. Galvão Hipnoterapeuta e Psicólogo Clínico