Casar
19 de dezembro de 2016
Casamento Fundado Sobre a Liberdade de Pensamento
19 de dezembro de 2016
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Casando de Maneira Alienada

Situação 1: Mulher de 30 anos por casar, já preparando o enxoval e apartamento comprado.

Pergunta: Por que casas?
Resposta: Porque o amo.

P: Por que o amas?
R: Não tem por quê, amor não tem razão, sentimento/emoção independe do pensamento.

P: Tente refletir?
R: Ele é gentil, sinto-me segura com ele e é um bom amante.

P: O que entendes por gentil e quando te sentes segura?
R: Ele abre a porta do carro, paga as contas, abre a porta para eu passar a sua frente, anda do lado de fora da calçada, dá rosas, diz quão linda sou, assiste a filmes românticos comigo e cuida de mim quando fico doente. A segurança vem por ser forte, um bom lutador e trabalhar bastante, além de, em termos sexuais, ser agradável.

P: Algo a mais?
R: Não, ele é perfeito.

P: Como são as suas conversas com eles?

R: Ah! Estamos sempre com amigos, com a minha família ou a família dele, ou em cinema, ou no teatro, ou assistindo a filmes.

P: Já dialogastes mais longamente com ele?

R: Não. Não vejo razão, prefiro estar junto com ele e outros amigos.

P: Casas então com um homem com etiqueta para com as mulheres, sendo ele útil e carinhoso. A virilidade, do seu ponto de vista, vem de trabalhar, ser lutador e satisfatório em termos sexuais. Entretanto tens pouco diálogo com ele. Concebes quão importante é esse aspecto? Casava-se antes por complementaridade, hoje mais por amizade e essa não parece ter com ele. Dessa maneira, pensas em casamento por um amor sem diálogo.

Reflexão: O amor elucidado tende a ser menos intenso. O amado é tornado real, não há mais um sentimento advindo de uma ilusão. Quem ama vê-se obrigado por si, quando não quiser mentir para o espelho, a lidar com o real e não o mito.

Quantas pessoas estão dispostas a verem as falhas e/ou faltas de si e/ou de outro com a qual se relacionam?

A pesada lucidez é aqui anestesiada pela momentânea e intensa idealização e exaltadas beldades habitantes da fantasia. Ama-se assim mais o pensar baseado na ilusão do que na realidade pelo simples movimento, muitas vezes por faltar sensibilidade e possibilidades presentes para saborear a natureza da realidade .

Situação 2: Homem pedindo uma mulher em casamento.

Homem: Casa comigo.

Mulher: Por que?

H: Porque lhe amo.

M: O que tenho eu de belo para que me ames?

H: Tens um sorriso lindo, és divertida, bonita, sensual e confiável.

M: O que entendes por sensual e confiável?

H: Mexes com os meus sentidos e sei que não sairás com outro homem.

M: Alguma outra coisa?

H: Acho que é isso.

M: Amas a mim então pelo meu corpo, o que faço com ele, por saber que não sairei com outro e por te divertir. Sabes quem sou ou o que aparento!? Conheces as razões de meu sorriso? Queres casar com os meus comportamentos ou comigo? Muitas mulheres podem ter as minhas ações, basta lerem regras de “etiqueta” e aparências de virtude em revistas femininas de beleza. Assim, o seu amor por mim vem de pensamentos baseados em trivialidades, mas não das minhas idéias e valores, não do meu espírito. Queres casar então ou primeiro me descobrir e saber se queres a mim?

Bayard Galvão

A sensibilidade acerca do real é esmagada por um caricatura de feitos e efeitos do real, uma música só é saborosa se for divina, se for ideal. Falta a temperança, assim como a sensibilidade ao dia a dia.

Aquela estabelecida e possível no palpável, alguns indivíduos criam uma realidade para si onde apenas o que não é sensível tem graça, apenas o infalível, até por não saber lidar com a insegurança vez por outra no certo, mas sim a segurança no incerto do amanhã, senão na certeza da morte, do nada.

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