"A hipnose está para a psicologia como a cirurgia está para a medicina."

Dr. Bayard Galvão


As Diferenças

Hipnose & Hipnoterapia

Hipnose

É o nome dado a estados psíquicos provocados pelo uso subjetivo dos sentidos, são mais de 15 fenômenos, sendo alguns poucos úteis em psicoterapia: Hipermnésia, Pseudo no Futuro, Anestesia e Analgesia.


Hipnoterapia

É o uso destes fenômenos em psicoterapia, tendo como finalidade pensar melhor sobre a vida, levando a um viver mais desejável.
Esse "viver melhor" dependerá do ponto-de-vista do paciente.



Tudo Sobre

Hipnose

H ipnose são fenômenos do pensamento que ocorrem no cotidiano de maneira geralmente superficial (de forma percebida ou não). As formas específicas de pensar (fenômenos chamados de hipnose) ocorrerão segundo quatro aspectos:

(1) a intensidade da atividade do pensar; (2) as formas de pensar induzidas por si mesmo ou outra pessoa; (3) quanto mais uma pessoa tenha aprendido a pensar de uma ou outra maneira, mais facilmente ela apresentará uma ou outra forma específica de pensar; e (4) o sistema orgânico que possibilita o próprio pensar, o qual, na medida em que estiver intacto, proporcionará a utilização das formas de pensar específicas (importante lembrar a existência de drogas produtoras de alterações no corpo de tal maneira que alterem o pensar de forma a tornar o indivíduo mais susceptível às colocações ouvidas), lembrando também ser o próprio sistema afetado pela hipnose. Assim, todas as pessoas que estiverem com capacidade de concentração, pode ser hipnotizada.

Para a explicação das formas específicas de pensar, utilizar-se-á de classificações dos fenômenos do pensar e, logo em seguida, as alterações específicas destes.

Veja as Classificações e Alterações dos Fenômenos do Pensar
Classificações

A) Memória

  • Hipermnésia
  • Regressão da Idade
  • Amnésia
  • Considerações sobre Pseudomemória
  • A Noção de "Vidas Passadas"


B) Distorção da Noção de Tempo

  • Condensação
  • Expansão


C) Sobre Projeção de Futuro

  • Pseudo-orientação no Futuro
  • Progressão de Idade


D) Fatos Objetivos Originados por Fatos Subjetivos

  • Alucinação Positiva
  • Alucinação Negativa
  • Analgesia
  • Anestesia
  • Hiperestesia


E) Raciocínios Específicos em Geral e Efeitos no Corpo

  • Signo-Sinal
  • Dissociação de Elementos
  • Catalepsia
  • Movimentos Alavancados
  • Duplicação de Sistemas de Raciocínios
  • Escrita Automática
  • "Sugestão Pré-Hipnótica"
  • "Sugestão Pós-Hipnótica"
  • Percepção de Si

Alterações

A) Da Memória

Por memória, compreendam-se as apreensões e/ou articulações lembráveis. As apreensões e/ou articulações serão mais bem fixadas de acordo com a quantidade de [...]


B) Da Noção de Tempo

A noção de tempo é uma construção humana. Tempo é, em última instância, a relação estabelecida entre diferentes fatos objetivos. Para a noção de tempo escolheu-se movimento da [...]


C) Da Projeção de Futuro

A idéia de projeção de futuro nada mais é do que o raciocinar a partir acerca do que pode vir a acontecer de acordo com a realidade individual. Subclassifica-se a questão da [...]


D) Dos Fatos Objetivos Originados por Fatos Subjetivos

O corpo é afetado de três maneiras distintas, em conjunto ou não, a saber: (1) a própria auto-regulação criada e mantida pelos genes [...]


E) Dos Raciocínios Específicos em Geral e Efeitos no Corpo

Raciocinar é a atividade de articular diferentes imagens, sons, cheiros, tatos e gustações. Estas articulações podem ter origens nos fatos objetivos ou subjetivos, originando sempre fatos subjetivos, os quais, na medida em que podem provocar atividades orgânicas sensíveis (de fala, expressão e outros), a si e/ou para outros, podem se tornar fatos objetivos [...]


Áreas de Aplicação da Hipnose

Hipnose e Câncer

Câncer é a reprodução desordenada de células, a multiplicação, segundo atuais explicações, ocorre devido a duas básicas origens, em conjunto ou não: (1) problemas hereditários no DNA e (2) ações químicas, físicas e/ou biológicas vindas de fora da célula, ligando e/ou desligando genes e/ou alterando o DNA.

Referente à psique provocando ou não o câncer existe duas hipóteses, a primeira mais aceita que a segunda no meio da medicina, embora a probabilidade maior é estarem as duas corretas: (1) dependendo da maneira como a pessoa está pensando, químicos são liberados provocando uma baixa no sistema imune, tornando o corpo mais vulnerável a células cancerígenas, e (2) os químicos liberados pelo pensamento poderiam ligar e/ou desligar partes do DNA, dependendo da quantidade, qualidade, duração, constância e freqüência de determinadas formas de pensar.

As possibilidades de auxílio no tratamento do câncer através da psique, com ou sem hipnose, são as seguintes: (1) melhorar o sistema imune através de psicoterapia, neutralizando e/ou alterando as formas de pensar que poderiam ter baixado o sistema imune; (2) diminuir e/ou neutralizar efeitos colaterais de algumas formas de tratamento como a quimioterapia; (3) diminuir a dor do paciente com câncer em conjunto ou não com anestésicos ou analgésicos.

Lembrando, entretanto ser transe o pensar de forma intensa e coerente, e hipnose formas específicas, intensas e coerentes de pensar. Em ambas as situações, por causa da alta atividade psíquica, há um aumento da liberação de químicos no corpo provocado pelo pensar, o qual, caso seja terapêutico, pode provocar conseqüências bem-vindas, podendo lesar o corpo caso seja mal-feito.

Bayard Galvão

Hipnose e Síndrome do Pânico

Como é o tratamento com hipnoterapia?
Geralmente reflete-se (através de filmes, livros, músicas e diálogos) sobre (a) diferentes formas de lidar com a morte, (b) ansiedades iniciais que geraram o problema, (c) medo de ter doenças e (d) medo da perda de controle. Uma vez que o paciente tenha claro como lidar com essas dificuldades da maneira que lhe for mais saudável, é provocada uma intensificação da memória (um dos fenômenos psíquicos chamados de hipnose, no caso, classificado como hipermnésia) a momentos em que ocorreram os sofrimentos anteriores à crise de ansiedade, durante essa e após essa. Durante essas lembranças, é pedido ao paciente que reflita, interprete e raciocine sobre essas dores lembradas da maneira como foi feita antes da hipnose. Após essas memórias, é pedido ao paciente que se imagine intensamente no futuro (outro fenômeno, aqui chamado de pseudo-orientação no futuro), fazendo uso dessas aprendizagens, percepções e reflexões.

Esse processo pode ser repetido por até três vezes, embora, freqüentemente, apenas uma seja o suficiente.


O que é Síndrome do Pânico?
É um quadro de sofrimento emocional provocado pelo medo de ter crises de ansiedade, em conjunto e retroalimentado com o medo da morte e/ou perda de controle emocional ou não.

De onde surge? Por quê?
É precedido de forte crise de ansiedade, a qual se torna uma sensação temida por si mesma, gerando o medo de ter crise de ansiedade. As maiores causas para a ansiedade na nossa cultura são as inúmeras e crescentes exigências, desde ter que ter físico jovial e magro, até alta performance no trabalho, condições financeiras, status, expectativa de ser pais perfeitos, uma pessoal sociável, líder, com pós-graduações e fluentes em pelo menos uma língua além da nativa.

Quais os “sintomas”?
Os sintomas físicos mais comuns, em conjunto ou não, são taquicardia, sudorese nas mãos ou corpo, respiração acelerada ou falta de ar, pressão no peito, aumento da pressão sanguínea, e por vezes, tontura e até desmaio.

Os sintomas psicológicos e comportamentais mais comuns são sensações constantes de perigos iminentes, medo da morte, medo de ficar sozinho, isolamento e medo de ter doenças. Há ainda a possibilidade de ocorrer pensamentos suicidas, como fuga do sofrimento presente; diminuição da auto-estima; aumento da agressividade como mecanismo de defesa; depressão e também dificuldade de trabalhar.

É curável? Ou apenas controlável?
Na grande maioria das vezes é completamente curável, e o que não der para curar, é possível amenizar e tornar suportável, através de psicoterapia e/ou calmantes e estabilizadores do humor.

Quais são os possíveis tratamentos?
Psicoterapia e psiquiatria, a primeira buscando trabalhar nas causas e tornar o paciente imune aos medos, e a segunda tralhando nos aspectos neuroquímicos do medo e ansiedade. Porém, há aqueles que buscam métodos com menos bases científicas, mas que dão conforto emocional e algumas vezes, à cura.

Bayard Galvão

Hipnose e Depressão

Por depressão compreenda-se uma tristeza intensa, constante, freqüente e duradoura. Essas variáveis são juntadas a outras como alguns pensamentos, não necessariamente presentes: baixa auto-estima, falta de sentido para a vida e idéias suicidas.

Durante essa situação diferentes alterações químicas ocorrem no cérebro, como de Serotonina e Dopamina, seja poouca liberação ou excesso de recaptação. Existem duas origens comumente expostas para explicar a ocorrência: DNA e/ou psique.

A tarefa da psiquiatria é regular os químicos de maneira a trazer um bem-estar ao paciente, a da psicoterapia é alterar a forma de pensar deste de maneira a possibilitar um viver melhor, tendo como efeito o equilíbrio químico. Os remédios são indicáveis em quatro situações: (1) principal razão para o desequilíbrio químico ser de origem orgânica, (2) probabilidade de lesar a si ou outros, (3) debilitação psíquica dificultando a psicoterapia em si e (4) enquanto não for possível psicoterapia, seja por qual razão for, no mínimo para um tratamento, sem intenção de cura.

Algumas indicações na vida do indivíduo que tendem a demonstrar a depressão como de base psíquica: algum acontecimento significativo e dolorido em época similar ao do começo da tristeza; perdas importantes por morte ou rejeição; estimar-se na sua maioria como ruim e/ou com defeitos; ser intolerante consigo e outros e tantas outras possibilidades.

Alguns valores comuns expostos na mídia que podem provocar tristeza, de forma primária ou secundária: estimar o que não tem e/ou é; ser feio e menosprezável envelhecer, podendo tornar esse um tormento; pouca ou nenhuma valorização de virtudes que permitam, intensifiquem, tornem duradouros e/ou melhorem relacionamentos, como ética, justiça, prudência, temperança, humor, boa-fé e assim por diante, dificultando relação pai-filho, homem-mulher e outros (o amor não é duradouro nem cresce quando faltam virtudes).

A Hipnose serve aqui cmo forma de trabalhar essas dores originadas no passado, com uma visão para o futuro, não basta saber as causas das dores emocionais, é preciso saber tratá-las.

Bayard Galvão

Hipnose e Ansiedade

Ansiedade são efeitos físicos dolorosos ocorridos ao se pensar sobre o futuro, os mais comuns são taquicardia, falta de ar, sudorese e por vezes, pouco frio. Estes efeitos somáticos não ocorrem necessariamente ao raciocinar apenas sobre coisas ruins, mas também boas, como uma viagem, casamento e outros.

As maiores causas para a ansiedade na nossa cultura são as inúmeras e crescentes exigências, desde ter que ter físico jovial e magro, até alta performance no trabalho, condições financeiras, status, expectativa de ser pais perfeitos, uma pessoal sociável, líder, com pós-graduações e fluentes em pelo menos uma língua além da nativa.

Duas podem ser as formas de lidar com ansiedade:

Evitando-a Para tanto é necessário entender quais pensamentos estão provocando ansiedade e por quê? Uma vez estabelecidos, criar estratégias para pensar em outras coisas. Tirando assim a dor da preocupação, tende a não ser a melhor forma de enfrentar problemas, mas é muito comum.

Pascal disse melhor: "A única coisa que nos consola de nossas misérias é o divertimento, porém, é a maior de nossas misérias, pois nos impede de pensar em nós mesmos."

Aprender a lidar com ela caso ocorra? Muitas vezes a ansiedade é quase inevitável para quem pensa, a pergunta é como se tornar superior a ela.

Dividamos então a ansiedade como efeito de 2 possíveis preocupações: com coisas boas, tendo dificuldade de esperar para acontecerem, como uma viagem; e com coisas ruins, pela mesma causa e medo da dor que pode ocorrer, uma cirurgia potencialmente fatal, nessa, seria importante inclusive, aprender a lidar com o medo da morte.

É simples e seguro afirmar que quando o indivíduo passa a não temer o futuro, já há uma diminuição da ansiedade, podendo até mesmo finalizá-la. Por exemplo: alguém com medo de morrer porque dirigirá em uma estrada perigosa, duas podem ser as suas preparações para dirigir, (1) aumentar a sua experiência com a finalidade de evitar uma possível batida e (2) refletir sobre o morrer chegando a conclusões que o permitam viver, apesar de saber da possibilidade de finalização dessa atividade.

Algumas pessoas com muito medo da morte e/ou morrer deixam de viver, "morrendo" assim, em vida.

Hipnose A hipnose entra no tratamento da ansiedade como uma forma de tratá-la na sua causa ou efeito, sendo eficiente em ambas, seja para trabalhar medo da morte, desviar atenção, melhorar a experiência ao dirigir e outros.

Bayard Galvão

Hipnose e Dependência Química

Por dependência química compreenda-se o uso de um químico sem o qual não haverá uma atividade "plena", seja em sentido orgânico ou psíquico, em maior ou menor intensidade. Entende-se, portanto, por dependência química orgânica, a necessidade, em maior ou menor intensidade o uso de uma substância química para ocorrer o funcionamento do corpo de maneira satisfatória.

Definindo assim dependência química psíquica como a necessidade em maior ou menor nível de uma droga para lidar com diferentes aspectos do dia a dia. A dependência química orgânica leva até 10 dias para acabar, desde o começo do tratamento, restando a dependência química psíquica.

A dependência química psíquica (DQP) encontra suas bases em dois aspectos: aumentar, buscar ou manter prazer (sensações agradáveis) e evitar, diminuir ou acabar com dor (sensações desagradáveis). As drogas tidas como as maiores provocadoras deste tipo de dependência são as que atingem o sistema nervoso de maneira mais intensa e imediata, algumas demoram de 15 a 20 minutos (como o álcool e a maconha) e outras até 1 minuto como a cocaína e o crack.

Nesse momento é útil comentar sobre o instinto, entendido aqui como a busca de sensações agradáveis e a fuga de sensações desagradáveis, sendo esses dois processos os movimentos de todo e qualquer estímulo bio-físico-químico provocadores de prazer e/ou fuga de dores (como esportes, radicais ou não, sexo, álcool, cafeína, maconha, cocaína e outros) passíveis de originar DQP, na medida em que não souber lidar de maneira temperada com esses estímulos. Portanto, dizer não ao prazer e sim à dor são movimentos contrários à natureza animal, e, portanto, humana.

Assim, por que alguém diria não às drogas? (aqui compreendidas como qualquer processo utilizado com a intenção de trazer prazer ou tirar a dor). Duas possíveis respostas: traz mais dor que prazer na relação (custo/benefício), tempo e/ou é imoral. Sendo, moral entendida enquanto qualquer regra ou sistema dessas que proponha uma forma de como viver seja cristã, muçulmana, das leis de um país ou estado, mídia, família, amigos, o próprio indivíduo e outros.

Levando em conta as idéias acima expostas, pode-se pensar em 5 diferentes possíveis maneiras de como lidar com drogas: (1) aprender a dizer não ao prazer, (2) aprender a lidar com as dores da vida de outras maneiras, (3) aprender a ter outras fontes de prazer, (4) diminuir o prazer e/ou velocidade com que a droga atinge o sistema nervoso e (5) aprender a lidar com a droga de maneira temperada, sendo esse talvez o mais difícil. Como cada um desses processos seria feito dependeria de cada profissional, caso fosse necessário, e/ou do indivíduo.

Alguns aspectos da "cultura brasileira" atual facilitadores da DQP:

Siga seu "coração"/ sonhos/ sentimentos sem questioná-los.

  1. Estas propostas freqüentes de alguns "músicos", "artistas", "poetas" e "filósofos", quando aceitas, levam alguém a fazer o que lhes faz bem de maneira imediata, independente por vezes de seus resultados e implicações, criando diferentes possíveis problemas, reversíveis ou não.
  2. A falta de questionamento é muitas vezes baseada no princípio de que existe em cada Ser Humano uma parte do "espírito" naturalmente boa e que sempre mostrará o caminho certo. Essas noções são no mínimo desprovidas de considerações científicas, as quais caso não sejam suficientes, suas dolorosas implicações são facilmente demonstráveis na observação da vida de muitos.
  3. Questionar a si provoca muitas vezes dores, inseguranças, crises, baixa de auto-estima e outros, indo, portanto, novamente contra o instinto.
O que importa é ser feliz não importa com o quê.

  1. A falta de uma moral para governar o prazer, esse sendo tomado de maneira vulgar como sendo a felicidade em si, implicando numa busca muitas vezes atropelada e desgovernada de imediatos, intensos e diferentes prazeres, sendo esse outro ponto passível de levar à utilização de drogas de maneira imprudente, sendo mais ou menos complicadas de como utilizá-las de maneira saudável.
  2. A noção moral aqui é buscar o prazer, podendo até mesmo provocar culpa (sentimento advindo do pensar ter feito algo errado) por não ter "aproveitado a vida", tê-la "jogado fora" e outros.
É preferível viver 10 anos a "1000 km/h" do que 1000 anos a "10 km/h".

  1. Colocada de maneira desenfreada e não questionada esta frase, o que importa é a intensidade, a diversificação e o imediatismo. Essas posturas podem ter implicações das mais diferentes, como ansiedade, distress e drogas.
  2. Uma das possíveis implicações são as buscas de relacionamentos rápidos desprovidos de uma intimidade além dos corpos. Esta pode ser uma das maneiras de "esvaziar" um relacionamento, podendo se tornar até mesmo um obstáculo para levá-los a serem mais constantes, pois, entre outras possibilidades, as intensidades de prazeres tendem a modificarem na medida em que o tempo passar.
Expostas essas breves idéias é razoável afirmar que a utilização de drogas deve ser feita segundo alguns critérios:

  • Conhecer os possíveis efeitos de determinada droga no corpo e psique segundo seus químicos e respectivas quantidades.
  • Ter claros os próprios limites em termos de saber com quanto prazer o indivíduo pode lidar, assim como possíveis atitudes e efeitos desse. Uma vez claros, não ultrapassá-los.
  • Aprender a lidar com dificuldades de outras maneiras.
  • Aprender a dizer não ao prazer na medida em que esse puder prejudicar a si e/ou outros.
  • Ter outras fontes de prazer.

Bayard Galvão

Hipnose e Dor

Por hipnose compreenda-se o nome dado a uma ou mais formas específicas de pensar, assim como suas conseqüências, sendo estas induzidas pelo indivíduo (auto-hipnose) ou pelo hipnoterapeuta.

Dor é toda e qualquer sensação desagradável, seja sob ou sobre a pele. Geralmente quando se fala em dor, especifica-se sensações desagradáveis geradas por fatos que ocorram na pele (como uma queimadura ou corte) e/ou sob a pele (como gastrite, enxaqueca, dor de cabeça, efeitos possíveis do câncer e outros).

As duas formas mais usadas de trabalhar com dor na hipnose, são através da anestesia ou analgesia, ambas, no caso, de origem psíquica. Elas podem ser usadas em conjunto com anestésicos ou analgésicos comuns, diminuindo a necessidade de um e/ou outro; embora também possa ser utilizada independente.

Anestesia aqui, pode ser compreendida como a não-sensação de algo, no caso, ambas possíveis de serem produzidas com origem no pensar, sendo no caso chamadas de hipnose. Algumas pessoas terão mais facilidade em desenvolver estes fenômenos em maior intensidade, lembrando, porém, que há a possibilidade de desenvolver estas capacidades.

As duas formas básicas de desenvolvimento da analgesia ou anestesia, no pré, durante ou pós-operatório, são: de forma direta, onde é pedido que a pessoa não sinta (anestesia) ou sinta diferentemente (analgesia); ou onde é proposto de forma cujo resultado é um ou outro, levando a pessoa a pensar de maneira intensa que está numa praia (distração que provocar anestesia), ou numa banheira agradavelmente quente (alterando a fisiologia de maneira a provocar analgesia). Sendo estas duas formas simples (em comparação com outras) de trabalhar com dor, seja crônica ou aguda. Sendo estas duas possibilidades bastante úteis para médicos, dentistas e psicólogos que queiram trabalhar com pacientes com esses problemas.

Bayard Galvão

Hipnose e Psiquiatria

A Hipnose na Psiquiatria pode ser complementar, enquanto Psiquiatria influi na consciência via química, a Hipnose influiria via à própria mente.

Embora diferentes hipnoterapeutas com formação psiquiátrica considerem algumas pessoas com distúrbios como sendo não hipnotizáveis, outros (ou os mesmos), acham perigoso a utilização da Hipnose em diferentes quadros psiquiátricos como a esquizofrenia.

A resposta a estas colocações nos trazem duas idéias: a pessoa será hipnotizável se estiver com a possibilidade de focalização da atenção, porém pode estar comprometida durante um surto, ou enquanto alcoolizada (ou outras drogas), ou com sono. A contra-indicação na utilização da Hipnose estará relacionada ao fato da pessoa poder focar a atenção, mas não conseguir ter um raciocínio de acordo com o colocado pelo hipnoterapeuta.

A utilização da hipnose com as medicações psiquiátricas não tem contra-indicação. Considerando, entretanto que caso a medicação entorpeça a possibilidade da focalização da atenção de forma intensa, a hipnose não acontece.

Relativo ao processo indicado pode-se salientar o uso inicial de medicação e hipnoterapia, e na medida em que a pessoa melhorasse, a medicação seria diminuída até extingui-la num momento razoável.

É discutível ainda se uma pessoa, não importando a situação, poderia prescindir da medicação com a utilização da hipnose. É mais razoável pensar em termos de desenvolver o processo e, na medida do possível, diminuir o uso dos medicamentos.

Bayard Galvão

Hipnose e Medicina

Comentar sobre a utilização da hipnose/transe na medicina é falar do impacto do pensar e suas diferentes formas específicas, Ocorrendo nas alterações fisiológicas.

A hipnose tem duas grandes possibilidades de uso: a compreensão da mente humana, incluindo seus impactos no corpo em termos de funcionamento neural e bioquímico; e o impacto da mente no corpo.

Em termos de Medicina, as formas especificas de pensar (chamadas hipnose) mais conhecidas são: anestesia e analgesia, tanto pela relativa simplicidade de uso, como pelo resultado imediato.

Atualmente está cada vez mais claro a possibilidade de diferentes distúrbios orgânicos que podem ser originados pela psique, desde alergias até câncer. Uma das formas de trabalhar com estas situações de uma forma relativamente rápida é através da hipnose.

Um outro possível uso que vem sendo desenvolvido é a hipnose ou o relaxamento em pré e pós-operatório, mostrando uma melhora clara em termos de complicações e tempo de internação.

Ainda outra possível aplicação, porém pouco desenvolvida, é o mapeamento do funcionamento neural de cada indivíduo através das formas específicas de pensar. À medida que o impacto da mente sobre o corpo for cada vez melhor explicado, com a hipnose ou não, mais possibilidades de uso desta surgirão.

Bayard Galvão

Hipnose e Odontologia

A hipnose quando utilizada na Odontologia permite um amplo território de aplicações. Pois no dia-a-dia dos consultórios, os mais variados tipos de pacientes surgem, apresentando problemas dos mais diferenciados. Com recursos utilizados e desfrutados pela hipnose, estes problemas podem ser resolvidos em quase a sua totalidade.

Muitas vezes por medo, trauma, ansiedade ou angústia, alguns pacientes interferem no êxito do tratamento odontológico. Ao se depararem com estes problemas os profissionais desta área podem observar no paciente uma série de sintomas e sensações como: sudorese, falta de ar, mãos frias, enjôo, dores na região cervical, desmaios, tonturas, dificuldades em relaxar a mandíbula para uma abertura adequada as intervenções, anestesias podem não obter o efeito desejado pelo nível de nervosismo, e muitas outras ocorrências nas suas mais diversas formas e características.

Fazendo o uso da hipnose nos consultórios odontológicos podem-se permitir o controle das dificuldades habituais tais como:

  • Controle de abertura bucal
  • Controle dos movimentos da língua
  • Controle da salivação
  • Controle de espasmos dos músculos da mandíbula
  • Controle das sensações ocasionadas pelo nosso ambiente de trabalho: equipamentos, som da alta rotação, mascaras, luvas, etc
  • Controle da tensão corporal
  • Controle de náuseas
  • Anestesia
  • Analgesia
  • Hemostasia

Uma conduta terapêutica, servindo como embasamento científico e, com a simples prática curativa, a hipnose não tem por finalidade denegrir qualquer paciente sentado na cadeira odontológica. Respaldando-se de toda ética da odontologia, o objetivo da utilização da hipnose nos consultórios é permitir e facilitar um pronto, rápido e indolor tratamento aos pacientes.

José Rodolpho Bueno de Moura

Hipnose e Psicologia

A Psicologia, em termos etimológicos, é o estudo da psique, tendo como finalidade conhecer e intervir nela. Tanto o estudo como a intervenção, terão lugar de acordo com diferentes métodos de compreensão desta, os quais totalizam hoje em dia mais de quatrocentos.

Os diferentes acontecimentos que ocorrem com o Ser Humano terão portanto tantas explicações quantos forem os métodos, sendo portanto lúcido alegarmos que existem tantas formas de provocar um autoconhecimento quantas forem as maneiras de estudar o Homem.

Até onde é conhecido, não existe nenhuma teoria referente à hipnose nem tampouco formas de utilizá-la e induzi-la, embora algumas escolas teóricas tenham em suas origens o seu uso, como a psicanálise com Sigmund Freud.

As definições, classificações, descrições e usos da Hipnose na Psicologia se darão aqui a partir do ponto de vista da Hipnoterapia Educativa, a qual foi desenvolvida em grande parte a partir dos trabalhos de Milton H. Erickson (1901-1980).

É importante, a princípio, diferenciar fisiológicamente três palavras, geralmente tidas como sinônimos entre si: relaxamento, transe e hipnose. Relaxamento - é a diminuição da atividade, seja física, seja do pensar (meditação, limpar a mente ou pensar em nada); Transe - é o pensar em alguma coisa de forma intensa (alta focalização da atenção ou alta absorção da atenção); Hipnose - é o nome dado a uma ou mais alterações específicas do pensamento das quais algumas, ocorrem em maior ou menor intensidade, sendo provocadas numa situação onde são esperadas tais alterações.

Embora as alterações específicas mais conhecidas sejam hipermnésia, amnésia, regressão de idade e anestesia, existem outras como alucinação positiva e negativa, duplicação de sistemas de raciocínio (aqui inserida a escrita automática), o pensar a si, dissociação de elementos, sugestões pré e pós-hipnóticas, pseudo-orientação do futuro, progressão de idade, analgesia, hiperestesia, associação de elementos e estados (aqui incluído signo-sinal).

Cada uma das alterações representando uma maneira específica do pensar e seus processos em determinado momento, sendo os impactos destes no corpo ainda pouco explicados em termos fisiológicos. Tendo cada uma delas inúmeras potencialidades de trabalho terapêutico e de conhecimento do pensar humano.

A hipnose ocorre devido a quatro aspectos fundamentais, são eles: a intensidade da atividade do pensar em algo, o que é pedido ao sujeito para pensar, a história do pensamento e o sistema orgânico que possibilite o pensar, sendo que este altera o próprio sistema.

Tanto a hipnose como o transe podem ser utilizados em diferentes áreas humanas e biológicas, como o estudo do impacto do pensar sobre o corpo, psicoterapia, odontologia, formação do pensar e intervenção em quadros psiquiátricos.

Hipnose na Psicoterapia

Os 2 fenômenos mais utilizados em psicoterapia são hipermnésia (memória intensificada) epseudo-orientação no futuro (levar o cérebro a acreditar que estaria vivenciando uma realidade possível, sendo tão real para a programação neural quanto se fosse uma vivência comum do presente), ambos têm múltiplas variedades de uso.

Com relação à hipermnésia, 3 usos comuns:

  • buscar na memória acontecimentos, pensamentos e sentimentos que ficaram gravados nas redes neurais (que formam a psique) e que afetam o presente. Ao descobrí-los, entende-se em grande parte quais os problemas que afligem o paciente (diagnóstico).
  • uma vez sabidas quais aprendizagens (gravadas neuralmente) provocam os problemas do paciente, é possível, durante a hipermnésia, a partir de reflexões, reinterpretar/ dar novo significado/ sentido ao pensamento/ acontecimento/ sentimento, alterando a rede neural e, portanto, a emoção envolvida (intervenção).
  • reviver de maneira intensificada vitórias, aprendizagens, sentimentos ou sabedorias antigas que sejam úteis ao enfrentamento dos atuais problemas (eliciação de recursos).

Sobre a pseudo-orientação no futuro, o uso mais comum é reafirmar as aprendizagens de poucos minutos para funcionarem no cérebro como se tivessem ocorrido por dias.

Ambos fenômenos quando utilizados tendem a tratar em poucas sessões o que uma terapia tradicional demoraria meses, ou nunca.

Bayard Galvão


Tudo Sobre

Hipnoterapia Educativa

H ipnoterapia é o uso dos fenômenos em psicoterapia (hipermnésia, pseudo-orientação, anestesia, analgesia, entre outros...), tendo como finalidade pensar melhor sobre a vida, levando a um viver mais desejável. Esse "viver melhor" dependerá do ponto-de-vista do paciente.

Esta forma de compreensão e intervenção do ser, e, no ser humano, não se propõe a inventar algo novo, mas apenas a rearticular idéias já pensadas por outros.

Psique é o uso dos sentidos, tudo que acontece na nossa mente se dá através de imagens, sons, cheiros, tato e gostos. A utilização dos sentidos pode ser objetiva, referente ao que acontece ao nosso redor e subjetiva, o que ocorre apenas mentalmente, tanto um uso quanto o outro pode gerar sensações agradáveis ou desagradáveis, buscar um e fugir do outro é o que se chama de instinto, nascemos com essa movimento psíquico.

Objetivos da Hipnoterapia Educativa

A Hipnoterapia Educativa tem como finalidade maior levar o paciente a se educar como saudavelmente desejar, com ajuda do psicoterapeuta em maior ou menor nível, inclusive com o uso da hipnose.

Educar é formar o ser humano.

Dr. Bayard Galvão

A Hipnoterapia Educativa é Formada de 3 Perguntas Básicas Perante o Ser Humano:
Perguntas Básicas
  1. O que o paciente está precisando aprender (saber, pensar) para superar determinado problema? (o que dependerá do diagnóstico).
  2. Como determinada pessoa, dentro de sua forma única de pensar, desenvolverá determinado pensar? (há aqui uma série de possíveis instrumentos para atingir esse resultado, hipnose é um dos mais importantes).
  3. O que o paciente está precisando aprender (saber, pensar) para se tornar senhora de si mesma?

As três perguntas pressupõem e remetem a maneiras de pensar o ser humano. Esta frase ainda podia ser substituída pela seguinte:

O ser humano é fruto e agente de aprendizagens, então, o que ele o paciente está precisando aprender para viver melhor? Seja sobre morte, significado da vida, separação, rejeição relacionamentos e assim em diante. Valendo dizer que grande parte de uma boa educação é levar o educando a descobrir as próprias respostas.


Leia Também

Material Complementar

19 de dezembro de 2016

Psicoterapia na Atualidade

A psicoterapia na atualidade converge para a idéia de atingir profundas mudanças e autoconhecimento, de uma maneira estratégica e com diferentes instrumentos, levando a mudanças mais rápidas e de melhor […]
17 de dezembro de 2016

Biografia de Milton H. Erickson

Milton Hyland Erickson nasceu no estado de Nevada – EUA, em 15 de Dezembro de 1901 e faleceu em 1980 em Phoenix – Arizona. Vinha de uma família de fazendeiros […]
17 de dezembro de 2016

Hipnoterapia Ericksoniana

A psicoterapia desenvolvida pelo psiquiatra americano Milton Hyland Erickson (1901-1980) é de múltiplas definições, devido às diferentes fases da sua vida. Erickson teve seu primeiro contato com a hipnose de […]
17 de dezembro de 2016

Regulamentação da Hipnose na Psicologia

RESOLUÇÃO CFP N.º 013/00 DE 20 DE DEZEMBRO DE 2000 Aprova e regulamenta o uso da Hipnose como recurso auxiliar de trabalho do Psicólogo. O CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA, , […]
17 de dezembro de 2016

Regulamentação da Hipnose na Odontologia

De acordo com a lei 5,081 de 24 de Agosto de 1966 que regula o exercício da odontologia, ao delimitar em linhas gerais atuação do cirurgião -dentista, estabelece que segue: […]
17 de dezembro de 2016

Regulamentação da Hipnose na Medicina (Hipniatria)

No Brasil, a história registra a aplicação da Hipnose em Medicina desde 1832, quando Leopold Gamard escreveu uma biografia. Em 1861 foi fundada a Sociedade de Propaganda e Jury Magnético […]