São Paulo Tel: (11) 5585 3372 Telefax: (11) 5584-8573
TEXTOS
Educação e Hipnoterapia Educativa
Quando a palavra educação é citada hoje em dia, muitas vezes entende-se: geografia, história, matemática, inglês, química etc. Por educação, compreenda-se: formar o Homem. Entretanto, faz parte da formação do homem os seus conhecimentos em diferentes áreas, além das mencionadas: formação dos valores, crítica, "aprender a pescar", ou ainda, aprender a aprender. Poderíamos entrar em longas discussões com relação a cada um destes conceitos, como tem sido feito por séculos. Então façamos, mas, sem fugir deste dever (débito) para com quem possibilitou o nosso pensar e viver bem (na medida do possível). A crítica constante que é feita nos diferentes meios de comunicação é a necessidade do bem alimentar, bem "educar", boa saúde e bem habitar das pessoas menos favorecidas. Esta sem dúvida é uma necessidade, mas, tão importante quanto, é a necessidade de uma melhor formação de valores e pensares daqueles que "criam", a "educação", e a vida dos menos favorecidos, de forma direta ou indireta. A melhor possibilidade da hipnose é que talvez durante o seu processo, poderemos entrar em contato com modelos já aprendidos de pensamentos e sentimentos, de forma percebida ou não. Portanto, a maior vantagem da hipnose é comprovar, de diferentes formas, que podemos nos tornar "mestre" de nossos sentimentos, e não escravos deles. Usar a expressão: "seguir o seu coração" não é de forma alguma diferente de dizer: "siga as aprendizagens que você teve um dia, de forma percebida ou não, escolhida ou não". Portanto, a idéia de seguir o coração não é diferente de: siga o seu passado. O que seria em grande parte dizer: repita o que já foi feito, de forma escolhida ou não. Portanto as perguntas são: - O que deveríamos pensar? - Como possibilitar este pensar? - Pelo quê vale a pena viver? - O que é importante? Ou, o que deveria ser importante?
Talvez mais do que responder a estas perguntas seja a possibilidade de fazê-las e pensar sobre elas e suas respostas.
Bayard V. Galvão
Psicólogo Clínico CRP 06/62416-3
Presidente do Instituto Milton Erickson de São Paulo
Hipnoterapia e Comunicação
Comunicação é o ato de comunicar, ou seja, fazer algo comum a alguém. Em outras palavras, é através dos sentidos do receptor que tem seu pensamento alterado a partir do que foi comunicado pelo emissor. Apenas faz-se algo comum a alguém a partir das únicas formas de apreensões da realidade deste, as quais são classificadas como: tato, gustação, olfato, visão e audição, as quais articulam-se entre si. Quando se pensa em termos de eficiência da comunicação, fala-se do quanto o emissor conseguiu transmitir do que estava querendo fazer comum para o receptor. Este é um indivíduo que tem sua própria maneira de articular as apreensões e articulações destas (a partir das primeiras) que fez e faz do mundo (a estas apreensões e articulações, dá-se o nome de realidade individual - (RI) ). Para que um emissor consiga comunicar-se eficientemente, é necessário primeiro entender a RI do receptor, para então fazer algo comum. Alguns exemplos: alguém que queira falar sobre o mudar do ser humano a um paciente que é um escritor, fala-se em termos de escrever com diferentes palavras, novas histórias sobre o passado e/ou sobre o presente. Se for um engenheiro civil, pode-se comunicar em termos de fundações, estruturas, vigas entre outros. Se for uma professora, pode-se falar em termos de ensinar a si mesma, novas coisas sobre o viver e assim sucessivamente. Embora usar as profissões, a comunicação mais eficiente será aquela que usar da realidade individual da pessoa de uma forma mais ampla. Existem basicamente quatro tipos de comunicação: a direta, a indireta, a implícita percebida e a implícita não-percebida. A Comunicação Direta - aquela que duas ou mais pessoas estão cientes do que se quer fazer comum, por exemplo: 2 + 2 = 4, num contexto de sala de aula na segunda série, é bastante claro o que se quer dizer com isso. A Comunicação Implícita Não-Percebida - fazer algo comum a alguma outra pessoa, sem que o emissor e nem o receptor da comunicação perceba (num primeiro momento pelo menos) o que está fazendo comum. Por exemplo: certa vez uma mãe querendo incentivar sua filha a pular na piscina, diz: "coragem filha, a mamãe está na água", ou seja, neste momento nem a mãe (nem a filha) muito provavelmente não percebeu que ela (a mãe) estaria atribuindo a coragem da filha à presença de sua mãe, ou seja, a coragem da filha como vindo de algo externo a ela. Uma comunicação única como esta, pode não fazer muita diferença, mas, uma vida inteira com este tipo de comunicação pode ser prejudicial. A Comunicação Implícita Percebida - seria o fato de o emissor tornar algo comum sem perceber, embora tendo o receptor percebido o que foi feito comum. A Comunicação Indireta - pode ser definida como aquela que o emissor da comunicação está consciente do que faz comum, embora o receptor não. Este tipo de comunicação foi muito utilizada e desenvolvida por Milton H. Erickson, tendo como função ultrapassar quaisquer pensamentos que possam ser limitantes ao processo terapêutico.
As quatro formas de comunicação aqui descritas, podem misturar-se, duas a duas, três a três ou as quatro, em maior ou menor proporções. Faz-se necessário comentar sobre as idéias de persuasão, motivação, convencer, influenciar e justiça em psicoterapia. Por persuasão entenda-se influir no pensamento do outro sem que este perceba (comunicação indireta), e com boas finalidades primeiro para o emissor; por motivação entenda-se em dar motivos a uma pessoa para que faça uma ou outra coisa; por convencer entenda-se influir no pensamento do receptor de forma que ele tenha percebido, aceito e escolhido alterar o seu pensar; por influenciar entenda-se em alterar o curso do raciocínio de alguém; e por justiça em psicoterapia entenda-se em como promover primeiramente a Liberdade de Pensamento (na medida do possível), e depois (dependendo da situação) a Espaço-Temporal. A primeira significa ser mestre de seu espírito. Para que isto ocorra, é necessário que o indivíduo seja educado de forma a ter alguma possibilidade de se educar e alterar os princípios dos seus pensamentos e sentimentos, de forma lúcida e mais disponível possível. A segunda seria a possibilidade de se movimentar num local, de uma forma geral (em termos de alimentação, educação, casa, conforto, transporte etc). Portanto, antes de empreender um comunicar, é prudente, justo, ético e responsável, fazer-se 3 perguntas: - O que eu quero comunicar? - Que causas e finalidades eu tenho em fazer comum determinado conteúdo? - Este conteúdo é justo?
Hipnose e Dor
Por hipnose compreenda-se o nome dado a uma ou mais formas específicas de pensar, assim como suas conseqüências, sendo estas induzidas pelo indivíduo (auto-hipnose) ou pelo hipnoterapeuta. Dor é toda e qualquer sensação desagradável, seja sob ou sobre a pele, advinda de uma imagem ou som, na pele ou pelo tato. Geralmente quando se fala em dor, especifica-se sensações desagradáveis geradas por fatos que ocorram na pele (como uma queimadura ou corte) e/ou sob a pele (como gastrite, enxaqueca, dor de cabeça, efeitos possíveis do câncer e outros). As duas formas mais usadas de trabalhar com dor na hipnose, são através da anestesia ou analgesia, ambas, no caso, de origem psíquica. Elas podem ser usadas em conjunto com anestésicos ou analgésicos comuns, diminuindo a necessidade de um e/ou outro; embora também possa ser utilizada independente. Anestesia aqui, pode ser compreendida como a não-sensação de algo, no caso, ambas possíveis de serem produzidas com origem no pensar, sendo no caso chamadas de hipnose. Algumas pessoas terão mais facilidade em desenvolver estes fenômenos em maior intensidade, lembrando, porém, que há a possibilidade de desenvolver estas capacidades. As duas formas básicas de desenvolvimento da analgesia ou anestesia, no pré, durante ou pós-operatório, são: de forma direta, onde é pedido que a pessoa não sinta (anestesia) ou sinta diferentemente (analgesia); ou onde é proposto de forma cujo resultado é um ou outro, levando a pessoa a pensar de maneira intensa que está numa praia (distração que provocar anestesia), ou numa banheira agradavelmente quente (alterando a fisiologia de maneira a provocar analgesia). Sendo estas duas formas simples (em comparação com outras) de trabalhar com dor, seja crônica ou aguda. Sendo estas duas possibilidades bastante úteis para médicos, dentistas e psicólogos que queiram trabalhar com pacientes com esses problemas.
Beleza, Estética e Amor
Por beleza compreendam-se estímulos visuais, auditivos, olfativos, táteis e/ou gustativos que provoquem sensações agradáveis em um ou mais indivíduos, sejam eles fatos objetivos ("reais") ou subjetivos ("imaginados"). Em termos genéticos pode-se afirmar que alguns fatos objetivos são geneticamente agradáveis como certos tons, toques, cheiros, gostos e intensidades de luminosidade. Desta forma é razoável afirmar que palavras em si não são geneticamente belas, mas sim as maneiras como são pronunciadas. O mesmo ocorrendo com uma relação sexual, não sendo essa atividade em si geneticamente agradável, mas sim os toques, estes por sua vez, dependendo da maneira como sejam feitos, será dessa maneira nomeado.
Referentes às imagens, não existem formatos geneticamente agradáveis, mas apenas intensidades de luz. Portanto, não existe estrutura facial nem corporal geneticamente bela, nem tampouco cor de pele. Assim a beleza facial, corporal e de cor é inteiramente aprendida e ensinada. O instinto é os movimentos de busca com os quais nascemos, são dois: (1) em direção às sensações agradáveis e (2) fuga de sensações desagradáveis. Alguns pesquisadores chegaram a afirmar que a beleza facial e até mesmo corporal baseia-se em estímulos visuais simétricos concebidos geneticamente, os quais indicariam, por motivos evolutivos, uma maior possibilidade de saúde, portanto, mais indicados para perpetuação da espécie. Para contradizer essa colocação bastaria pensar numa criança nascida numa ilha apenas com indivíduos com hanseníase e membros amputados e refletir sobre a possibilidade dela achá-los feio. Com o tempo ela até poderia ver em si, outros humanos e animais simetria e então fazer comparações, mas seriam aprendidas e não genéticas. Por estética compreenda-se a ciência da beleza. Caso compreendamos ciência enquanto o processo de descoberta dos princípios e relações entre si que rejam as coisas e seus movimentos, pode-se afirmar que conceitos que necessitem do Ser Humano para existir como estética, justiça, amor, angústia e outros, não pode ser considerada ciência. Assim posto, Cirurgia Plástica é a área da medicina que tem como finalidade estética, para tanto, são utilizadas diferentes técnicas para melhorar aparentar segundo o convencionado por uma certa quantidade de pessoas como beleza. Como convencionar quais são as belas imagens? A resposta dependerá das reflexões e valores de quem responder, houve momentos históricos de expansão e guerra onde beleza era da aparência de ser uma boa "reprodutora" e bons guerreiros, portanto mulheres de quadris largos e homens musculosos, depois por homens com aparência de poder financeiro e fartura, portanto, considerados de acordo com os padrões atuais gordos, depois ainda da boemia no final do século XIX, representada pela tuberculose, portanto, magros. Hoje, a noção de estética é regulada por uma mídia globalizada, governada por aqueles que têm poder devido ao dinheiro, sendo, portanto, direcionada para receberem mais, propondo como belo o antinatural, no caso, um eterno jovialidade em termos de pele e aparência (apenas possível devido a cremes, cirurgias, lipoaspirações e outros), cheiros artificiais (possibilitados por desodorantes, banhos, perfumes e outros), magreza (a qual para mantê-la, apenas com muita ginástica em "academia e diets") e óbvio, a aparência de ter dinheiro através de roupas de marcas X, carros de valor Y, bolsas de valor Z e assim por diante. Ao definir amor com base nas idéias de Aristóteles, pode ser dito ser esse sentimento o buscar de maneira prazerosa o bem-estar do outro, ocorrendo esse processo segundo as belezas do amado de acordo com o amante. Assim posto, ama-se o belo. Por essas e outras razões busca-se ser belo, mas se estamos numa sociedade preocupada e movimentada não tanto por belezas nobres como justiça, amizade, Liberdade de Pensamento (capacidade de governar de maneira lúcida os próprios pensamentos e sentimentos), ética e tantos outros, mas sim a beleza de ter corpo jovial, magro, festa e de aparência de poder financeiro e político e outros, o quê será buscado e cultuado? E ainda, se o quê provoca amor entre humanos é a beleza e esta no caso for passageira e comum a muitos, o quê manterá o casal junto por mais tempo? O quê os unirá e separará? A cultura (o cultuado por duas ou mais pessoas) brasileira tem levado o pai e a mãe de praticamente todas as classes econômico-sociais a trabalharem para obter muitas vezes o desnecessário, deixando os filhos muitas vezes educados por pobres programas de televisão como muitas novelas, desenhos, programas infantis, filmes, músicas, programas de rádio e outros estímulos não formadores de um espírito capaz de Liberdade de Pensamento. Estas crianças mais tarde terão outros filhos e tentarão educá-los quando eles mesmos muitas vezes não têm educação, repetindo e piorando o ciclo. Assim, assiste-se hoje no Brasil, com a única diferença com relação a outras épocas de serem mais globalizadas e claras as idéias, um esvaziamento das relações humanas, as quais são alimentadas e sustentadas por trocas entre duas pessoas que ultrapassem o momento de prazer sexual e da imagem. Portanto, beleza é fundamental para as relações humanas, tanto de uma estética do corpo (até mesmo por ser o primeiro sentido utilizado) como de uma estética do espírito, quando ambas caminham juntas, elas tendem a permitir um agradável e longo relacionamento, amoroso ou não, entre homem e mulher, pai e filho, amigos, familiares e outros. A estética física está bem trabalhada e buscada e a espiritual, como tolerância, paciência, perseverança, doçura, boa-fé, fidelidade, justiça, Liberdade de Pensamento, sabedoria, força, perdão e tantas outras?
Dependência Química
Por dependência química compreenda-se o uso de um químico sem o qual não haverá uma atividade "plena", seja em sentido orgânico ou psíquico, em maior ou menor intensidade. Entende-se, portanto, por dependência química orgânica, a necessidade, em maior ou menor intensidade o uso de uma substância química para ocorrer o funcionamento do corpo de maneira satisfatória. Definindo assim dependência química psíquica como a necessidade em maior ou menor nível de uma droga para lidar com diferentes aspectos do dia a dia. A dependência química orgânica leva até 10 dias para acabar, desde o começo do tratamento, restando a dependência química psíquica. A dependência química psíquica (DQP) encontra suas bases em dois aspectos: aumentar, buscar ou manter prazer (sensações agradáveis) e evitar, diminuir ou acabar com dor (sensações desagradáveis). As drogas tidas como as maiores provocadoras deste tipo de dependência são as que atingem o sistema nervoso de maneira mais intensa e imediata, algumas demoram de 15 a 20 minutos (como o álcool e a maconha) e outras até 1 minuto como a cocaína e o crack. Nesse momento é útil comentar sobre o instinto, entendido aqui como a busca de sensações agradáveis e a fuga de sensações desagradáveis, sendo esses dois processos os movimentos de todo e qualquer estímulo bio-físico-químico provocadores de prazer e/ou fuga de dores (como esportes, radicais ou não, sexo, álcool, cafeína, maconha, cocaína e outros) passíveis de originar DQP, na medida em que não souber lidar de maneira temperada com esses estímulos. Portanto, dizer não ao prazer e sim à dor são movimentos contrários à natureza animal, e, portanto, humana. Assim, por que alguém diria não às drogas? (aqui compreendidas como qualquer processo utilizado com a intenção de trazer prazer ou tirar a dor). Duas possíveis respostas: traz mais dor que prazer na relação (custo/benefício), tempo e/ou é imoral. Sendo, moral entendida enquanto qualquer regra ou sistema dessas que proponha uma forma de como viver seja cristã, muçulmana, das leis de um país ou estado, mídia, família, amigos, o próprio indivíduo e outros. Levando em conta as idéias acima expostas, pode-se pensar em 5 diferentes possíveis maneiras de como lidar com drogas: (1) aprender a dizer não ao prazer, (2) aprender a lidar com as dores da vida de outras maneiras, (3) aprender a ter outras fontes de prazer, (4) diminuir o prazer e/ou velocidade com que a droga atinge o sistema nervoso e (5) aprender a lidar com a droga de maneira temperada, sendo esse talvez o mais difícil. Como cada um desses processos seria feito dependeria de cada profissional, caso fosse necessário, e/ou do indivíduo. Alguns aspectos da "cultura brasileira" atual facilitadores da DQP: Siga seu "coração"/ sonhos/ sentimentos sem questioná-los. 1- Estas propostas freqüentes de alguns "músicos", "artistas", "poetas" e "filósofos", quando aceitas, levam alguém a fazer o que lhes faz bem de maneira imediata, independente por vezes de seus resultados e implicações, criando diferentes possíveis problemas, reversíveis ou não. 2- A falta de questionamento é muitas vezes baseada no princípio de que existe em cada Ser Humano uma parte do "espírito" naturalmente boa e que sempre mostrará o caminho certo. Essas noções são no mínimo desprovidas de considerações científicas, as quais caso não sejam suficientes, suas dolorosas implicações são facilmente demonstráveis na observação da vida de muitos. 3- Questionar a si provoca muitas vezes dores, inseguranças, crises, baixa de auto-estima e outros, indo, portanto, novamente contra o instinto. O que importa é ser feliz não importa com o quê. 1- A falta de uma moral para governar o prazer, esse sendo tomado de maneira vulgar como sendo a felicidade em si, implicando numa busca muitas vezes atropelada e desgovernada de imediatos, intensos e diferentes prazeres, sendo esse outro ponto passível de levar à utilização de drogas de maneira imprudente, sendo mais ou menos complicadas de como utilizá-las de maneira saudável. 2- A noção moral aqui é buscar o prazer, podendo até mesmo provocar culpa (sentimento advindo do pensar ter feito algo errado) por não ter "aproveitado a vida", tê-la "jogado fora" e outros. É preferível viver 10 anos a "1000 km/h" do que 1000 anos a "10 km/h". 1- Colocada de maneira desenfreada e não questionada esta frase, o que importa é a intensidade, a diversificação e o imediatismo. Essas posturas podem ter implicações das mais diferentes, como ansiedade, distress e drogas. 2- Uma das possíveis implicações são as buscas de relacionamentos rápidos desprovidos de uma intimidade além dos corpos. Esta pode ser uma das maneiras de "esvaziar" um relacionamento, podendo se tornar até mesmo um obstáculo para levá-los a serem mais constantes, pois, entre outras possibilidades, as intensidades de prazeres tendem a modificarem na medida em que o tempo passar. Expostas essas breves idéias é razoável afirmar que a utilização de drogas deve ser feita segundo alguns critérios: - Conhecer os possíveis efeitos de determinada droga no corpo e psique segundo seus químicos e respectivas quantidades. - Ter claros os próprios limites em termos de saber com quanto prazer o indivíduo pode lidar, assim como possíveis atitudes e efeitos desse. Uma vez claros, não ultrapassá-los. - Aprender a lidar com dificuldades de outras maneiras. - Aprender a dizer não ao prazer na medida em que esse puder prejudicar a si e/ou outros. - Ter outras fontes de prazer.
Medo, Fobia e Pânico
Por medo compreenda-se desejar ( portanto um pensar ) fugir de alguma dor ( não querer porque não significa que a fuga ocorra) ou possibilidade desta. F obia a noção de que a dor ou possibilidade dessa é irracional e pânico um intenso medo provido de alterações fisiológicas intensas como taquicardia, falta de ar, contração muscular, intenso suor e/ou outras possíveis alterações fisiológicas. Colocando, entretanto, ser coragem a postura de ir de encontro à possibilidade ou certeza de dor. Portanto, coragem é apenas necessária em momentos de medo, fobia ou pânico.
Por racional entenda-se o ser vivo que faz uso da razão, essa pode ser compreendida de 3 formas independentes: (1) motivos pelos quais faz-se algo, (2) articulação das idéias e (3) investigação da verdade. Essas três idéias podem ser encontradas dentro de uma única definição, onde razão seria a linha de raciocínio baseada na investigação da verdade, de onde todas as ações partiriam, essa última é a mais complexa e menos comum.
Assumir-se-á no presente texto apenas a palavra medo, sendo intenso (pânico) ou não, de forma a não entrar no mérito do uso ou não da investigação da verdade para refletir sobre a possibilidade ou certeza de alguma dor, desejando então a fuga. Até mesmo porque se for admitida à definição singular de razão compreendida como a causa de alguma ação, todo medo teria um por quê, sendo, portanto sempre racional, o mesmo se tomado como articulação de idéias. Então, devido a esses detalhes e baseado na simplificação e não empobrecimento do texto, apenas falar-se-á de medo.
Por instinto compreenda-se a busca de sensações agradáveis e a fuga de sensações desagradáveis, embora o ser vivo não nasça conhecendo os diferentes estímulos provocadores de dor nem tampouco prazer. Ao aprender e conseguir antecipá-los passará a ter buscas ou medo. Portanto, os seres humanos não nascem com medo, mas com o potencial para tanto.
Assim posto, ao lidar com o medo, duas posturas podem se seguir: (1) acabar com a dor alterando a dor ou possibilidade dessa (a qual provoca dor em si) e/ou (2) criar coragem para lidar com ela. Como lidar com o medo? A mesma pergunta pode ser colocada de duas formas:
1 - Como acabar com a dor ou possibilidade desta?
A fonte do medo é a dor ou possibilidade desta, sendo dor qualquer sensação desagradável, a qual pode ser provocada por 3 diferentes origens: (a) corpo lesado ou com possibilidade de o ser pelo ambiente, (b) auto-regulação propiciada pela genética e/ou (c) psíquico. Referente à terceira, essa ocorre devido a uma apreensão (contato imediato com a realidade) ou raciocínio (junção de apreensões e/ou junções anteriores) presente, os quais sempre terão suas histórias e causas presentes de acordo com o indivíduo. Expondo, entretanto serem quatro as fontes possíveis de dor de origem psíquica: a dor em si (violência, ansiedade, angústia e outros), perda de prazer (de um ente querido, alegria, amor e outros), fazer o errado e parar de fazer ou não fazer o certo, sempre de acordo com os valores do indivíduo.
Duas formas cotidianas de lidar com o medo são a distração e fazer uso de drogas como álcool e cigarro. Em termos profissionais, lidar com o medo é alterar a memória e/ou maneira de lidar com aspectos do passado, presente ou possibilidades do futuro de forma a não haver mais dor, acabando, portanto com a fonte. Tentar estabelecer uma forma universal de acabar com a dor seria no mínimo uma massificação dos por quês alguém a tem, idéia essa no mínimo estatística e com uma série de possíveis erros.
Uma outra forma de alterar o medo é alterar a sua química com outros químicos (drogas), função essa da psiquiatria, a qual não altera a forma de pensar provocadora do medo, mas sim as alterações fisiológicas desse.
2 - Como criar coragem para lidar com o medo?
Muitas dores e possibilidades dessas são de grande probabilidade como morte, doença, acidente, perda de um ente querido, ser machucado por outro, assalto, seqüestro, fome, solidão, sede, frio, fome e tantas outras.
Aprender a viver é também enfrentar esses medos e outros, até mesmo porque fugir da dor é muitas vezes fugir da vida. Uma das formas mais comuns no mundo de direcionar a própria vida é através de religiões, compreendidas aqui como manuais de como viver baseado numa suposta inspiração divina, embora haja outros meios.
Ansiedade
Por ansiedade compreendam-se dores advindas de um pensar sobre possibilidades do futuro. Estas dores geralmente consistem em maior ou menor intensidade de inquietação, taquicardia, falta de ar e/ou outras possibilidades. Essa emoção chamada de ansiedade, como todas as outras, é provocada pelo pensamento, quer seja percebido ou não. Ela não necessariamente pode vir apenas do pensar sobre coisas ruins, mas também boas, como uma viagem, casamento e outros.
Estes pensares provocadores da emoção chamada de ansiedade têm algumas fontes comuns na cultura brasileira, embora, de forma alguma, esteja sendo colocada como válida para todos os brasileiros, mas apenas para alguns indivíduos. Alguns pensares comuns sobre possibilidades de futuro geradores de ansiedade, lembrando, entretanto que podem vir juntos com outros, provocando assim outras emoções também, ao mesmo tempo: questões financeiras atuais e futuras, possibilidade de perda de emprego, de perda de ente querido, não atingir uma expectativa (como algumas das diferentes dificuldades sexuais de ereção, ejaculação precoce, falta de orgasmo), diferente medos e tantos outros.
Duas podem ser as perguntas para lidar com a ansiedade:
1- Como evitá-la?
Para tanto é necessário entender qual pensar está provocando ansiedade e por quê? A resposta deve ser sempre de acordo com o indivíduo. Por exemplo: a possibilidade de perda de emprego provoca ansiedade porque pode perder X ou Y e perder isso pode implicar em A ou B.
Sendo, portanto necessário, primeiro entender os pensares que incomodam e os outros pensares/ valores que assim os tornam. Ou seja, é necessário entender como o indivíduo pensa e então ver as possibilidades de alterar esse de maneira a finalizar a ansiedade.
2- Como lidar com ela caso ocorra?
Muitas vezes a ansiedade é quase inevitável nesses casos, a pergunta é como superá-la. Ou seja, haver uma preparação para lidar com ela de uma maneira tal a criar segurança sobre como agir durante essa emoção e até mesmo aprender a controlá-la, por exemplo: a possibilidade de perda de emprego por ter filhos que possam vir a passar fome, ao refletir sobre essa, criar outras formas de lidar com essa. Ter apenas uma alternativa de como viver pode ser bastante lesivo a esse, é necessários muitas vezes estar preparado para o inesperado, uma forma de assim o fazer é estar ciente das próprias habilidades, potenciais e superações passadas.
É simples e seguro afirmar que quando o indivíduo passa a não temer o futuro, por saborear os seus potenciais, já realizados algum dia ou não, de enfrentar as dificuldades da vida, já há uma diminuição da ansiedade, podendo até mesmo finalizá-la. Por exemplo: alguém com medo de morrer porque dirigirá em uma estrada perigosa, duas podem ser as suas preparações para dirigir, (1) aumentar a sua experiência de diferentes maneiras e (2) refletir sobre o morrer chegando a conclusões que o permitam viver, apesar de saber da possibilidade de finalização dessa atividade.
Algumas pessoas com muito medo da morte e/ou morrer deixam de viver, "morrendo" assim, em vida.
Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC ou DOC)
Por obsessão compreenda-se um pensamento qualquer, involuntário, incômodo e frequente, e por compulsão um pensar incontrolável provocador de uma ação. Assim, Transtorno Obsessivo-Compulsivo é a situação de ter pensamentos involuntários e incômodos com os quais o indivíduo lida pensando que ao fazer algo, o levará a não ter mais os primeiros. Por exemplo: alguém que involuntariamente acha estar tudo sujo, constantemente limpando tudo inclusive a si mesmo, lidando assim com os pensamentos primeiros.
Para tratar esse tipo de situação, duas posturas são possíveis, uma menos rica que a outra respectivamente: desviar a atenção e aprender a lidar com o pensar de maneira a se tornar superior a ele. Por exemplo: uma situação como a acima, pode-se (1) levá-lo a pensar em algo quando começar a achar algo sujo de maneira a desviar a atenção, ou (2) existe a possibilidade de entender os por quês de ser ruim algo estar sujo, uma vez sabida a resposta, criar uma aprendizagem onde ocorra uma superação das dificuldades. Por exemplo: a possibilidade de estar sujo é ruim pela probabilidade de criar uma infecção "provavelmente" fatal após um longo tempo de sofrimento.
Ao aprender a lidar com o morrer doloroso e a morte em si, o pensamento de sujeira não mais incomodaria (pelo menos da maneira como antes ocorria), não havendo mais a compulsão, podendo agora lidar com essas situações com uma boa medida, com temperança.
Stress e Distress
Por stress compreenda-se atividade e distress alterações fisiológicas lesivas decorrentes de excesso de atividade. Assim posto, se o stress é intenso, freqüente, constante e duradouro de maneira a não permitir a recuperação orgânica do desgaste advindo da atividade, uma série de efeitos colaterais podem ocorrer, muito semelhantes à tristeza intensa, constante, freqüente e duradoura, também chamada de depressão na nomenclatura psiquiátrica. Alguns dos efeitos colaterais possíveis: tristeza, cansaço, fraqueza, irritabilidade, dificuldade de atenção, dificuldade de memorização, raciocínio, dores em diferentes partes do corpo, insônia ou excesso de sono e outros.
São duas as possibilidades de lidar com excesso de stress: diminuir atividade e/ou aprender a lidar com ele. A razão mais comum de stress na cultura brasileira é de 4 origens, não necessariamente nessa ordem e muitas vezes aumentando de acordo com o tamanho da cidade: questões de profissão/ financeiras, violência física (assalto, seqüestro e outros), beleza física magra e jovial, e trânsito.
Referente à primeira, ela ocorre na forma de excesso de trabalho, preparação para tanto, como estudo, alto consumo (gerando a necessidade de alta eficiência) e bom salário (até mesmo para o consumo), além da constante possibilidade de perda do emprego devido à competição de outros bons profissionais, às vezes mais "baratos" e recessão. Sendo todos esses fatores colaboradores para uma intensa atividade psíquica (e, portanto orgânica) muitas vezes de preocupação, misturados com a falta de descanso, até por não saber muitas vezes da sua necessidade e nem tampouco como conseguir.
Á parte da violência encontra duas grandes aliadas, principalmente na mídia: (1) reportagens mostrando erros, falhas e faltas da polícia, ou seja, apenas o lado ruim do órgão de proteção da sociedade, criando insegurança para o cidadão, e segurança da impunidade para os criminosos e (2) as sangrentas reportagens, recheadas de corrupção, miséria espiritual e material e tantas outras degradações humanas. Não é uma questão de não mostrar, mas sim de mostrar também o outro lado. Como diferentes filósofos já colocaram, mais vale o exemplo do bem do que a indicação do mal.
Com relação à beleza física magra e jovial, esta é uma das maiores violências atuais, pois é contra a natureza dos seres vivos. A beleza física é essencialmente aprendida através dos meios de comunicação de determinada época cada qual à sua, por livros, quadros, livros, rádio, televisão, cinema, outdoor, música, internet e outros. Na medida em que é aprendido algo contra a natureza, o nível de esforço para retardar as marcas do tempo é enorme, ocupando até mesmo boa parte da vida de alguém, limitando sua alimentação, prazeres, além de não cultuar outros aspectos possíveis da vida, como intelecto, reflexão, virtudes, justiça, prudência e tantos outros pontos facilitadores da amizade e nobres relações humanas.
Com respeito ao trânsito, embora seja de simples observação, vale colocar dois aspectos, se por um lado significa muitas vezes demorar chegar onde se quer, por outro pode servir de momentos de reflexão sobre a vida de maneira a resolver ou fazer diferentes perguntas.
Amor e Auto-Estima
Por auto-estima compreenda-se o quanto alguém pensa ter ou ser o estimado por si, sendo amor-próprio o resultado de querer o bem de si, até mesmo devido ao pensar-se possuidor de beleza e moral, de acordo com os próprios critérios, baseados nos outros ou não, pensando ter ou não feiúras e/ou vícios.
Assim explicado as fases para haver uma reflexão sobre à auto-estima de si ou do outro seguem-se: (1) ter claro o que é tido como belo e certo, de maneira percebida ou não pelo indivíduo, (2) o quanto pensa ter ou estar com essa beleza e/ou virtude moral. A palavra utilizada é pensa porque quando se quer falar dos sentimentos de alguém frente outra pessoa, não interessa quem é o indivíduo em questão, mas sim o que é pensado dele. A pessoa "mais virtuosa do mundo" , aos olhos do outro, se pensar pouco de si, terá uma baixa auto-estima e provável pouco amor-próprio.
Entendendo-se amor como se sentir bem ao buscar o bem-estar do outro em prol do outro primariamente, também recebendo de alguma forma algum bem-estar do outro secundariamente, é necessário que o amado seja belo e/ou virtuoso aos olhos do amante.
O pensar do amante, percebido ou não, referente ao amado, governará o amor, assim, dependendo dos valores do amante e o quanto ele pensa os ver no outro, começará, aumentará, diminuirá ou acabará o amor.
Para saber da possibilidade de amar de alguém, duas reflexões podem ser feitas: (1) o quanto o indivíduo é capaz de amar o outro naquele momento da vida dele e (2) quais os valores do indivíduo em questão, juntamente com a possibilidade de pensar e existir esses no outro. Referente ao primeiro, amar significa, pelo menos em dado momento, preocupar-se mais com o bem-estar do outro do que com o próprio, o que para muitos, em diferentes momentos da vida será inconcebível, quando não impossível por toda a sua existência. Com relação à segunda reflexão, faz-se necessário uma lista de valores do indivíduo, assim como quando ele pensa vê-los exibido no outro ou até mesmo em si.
Dessa forma, se os valores forem poucos e etéreos, o amor estará fadado a pouco tempo de vida. Por exemplo: quem valoriza apenas dinheiro, status de poder político, beleza magra, jovial e afins, provavelmente deixará de amar em pouco tempo, pois as razões do seu amor são altamente descartáveis e substituíveis, tornando o amor frágil. Entretanto, se o amor for baseado em valores pensados e reais referente ao outro, como prudência, justiça, temperança, fidelidade, lealdade, inteligência, conhecimento, lucidez, simplicidade, humor e outros, ou seja, as virtudes da amizade e diálogo, o amor será mais sólido por ter valores mais duradouros e mais difíceis de serem perdidos, achando, portanto muitos laços para o vínculo.
Colocando, entretanto, que numa cultura onde as virtudes deixam de ser cultuadas, portanto não procuradas, exercidas e nem tampouco enraizadas, dando espaço para virtudes etéreas de belezas como magreza e jovialidade. Uma das maiores buscas humanas é o relacionar-se com o outro, amar, crescer e envelhecer juntos de maneira saudável é, muitas vezes dificultada e até mesmo impossibilitada porque o que possibilitaria esse relacionamento, muitas vezes não faz parte do espírito do indivíduo que busca essa possibilidade.
Psicólogo Clínico- CRP 06/62416-3
Pensamento, Sentimento e Psicossomática
Por psicossomática, compreenda-se: relação mente-corpo, pensamento-corpo, pensamento-atividades orgânicas, ou ainda, apreensões e articulações (a partir do que foi apreendido) do mundo e dos sentidos-atividades orgânicas. Quando falamos em doenças ou distúrbios provocados pela mente, dizemos algo como: o impacto do pensar sobre atividades orgânicas. Algumas considerações sobre o pensar, seus impactos nas atividades orgânicas e possíveis problemas provocados por estas situações. O pensar se faz a partir dos 5 sentidos, todos eles ocorrem devido a processos físicos, químicos e biológicos, sendo conservados juntamente com novas articulações do que foi visto, a este processo damos o nome de memorização, ao seu resultado damos o nome de memória. Partindo de diferentes hipóteses expostas acima algumas possíveis implicações são: a - podemos reproduzir e rearticular imagens a partir do que foi apreendido pelos sentido de visão, de olhos fechados ou abertos; b - podemos também reproduzir e rearticular sons no nosso pensar a partir do que um dia foi apreendido na audição; c - O mesmo que se dá com a visão e audição, se dá com o olfato, gustação e tato. Estas hipóteses e tomadas como verdades e, sabendo ainda, que da mesma forma que a reação química: base + ácido produz sal + água; lendo-se: adição de diferentes pensares produzindo diferentes reações químicas no corpo; tem-se que o pensar, quando focado ou intenso, de forma sentida, percebida ou não; terá impacto no organismo de forma amplificada; provocando novas reações químicas que são ou não novas para o indivíduo, e que podem ou não favorecerem a manutenção ou destruição de relações intra, extra e intercelulares. O parágrafo anterior é o resultado de muito articular, vale a pena pensar sobre ele como vale a pena pensar sobre a seguinte frase: o prazer (alterações fisiológicas ditas agradáveis pelo indivíduo que as sente, a partir dos sentido de tato), e a dor (alterações fisiológicas ditas desagradáveis pelo indivíduo que as sente, a partir do sentido de tato); são leituras do sentido de tato que indicam relações de manutenção, crescimento ou destruição de relações inter, extra e intracelulares. Por distúrbios psicossomáticos, concluímos que ocorrem devido aos pensamentos que provocam diferentes tipos de alterações fisiológicas de dor, sentida (ou não), percebida ou não. Entendemos, portanto, que a melhor forma de viver a vida, é aquela onde se tem prazer pelo maior tempo possível, com a menor quantidade e qualidade de dor possível; para isso a filosofia que é a "ciência do viver bem" (ou pelo menos deveria ser), se mostra bastante rica, tendo que a aplicação do que deveria ser a filosofia é justamente aquela que levaria à maior longevidade possível. A filosofia é necessária em termos psicossomáticos nos momentos de dor, de sofrimento ou não, e/ou para provocar a maior quantidade de prazer possível.
Hipnose e Câncer
Câncer é a reprodução desordenada de células, a multiplicação, segundo atuais explicações, ocorre devido a duas básicas origens, em conjunto ou não: (1) problemas hereditários no DNA e/ou Camada Epigenética e (2) ações químicas, físicas e/ou biológicas vindas de fora da célula, ligando e/ou desligando genes e/ou alterando o DNA e/ou a Camada Epigenética (essa última é uma hipótese provável, mas aparentemente sem pesquisas até o momento).
Referente à psique provocando ou não o câncer existe duas hipóteses, a primeira mais aceita que a segunda no meio da medicina, embora a probabilidade maior é estarem as duas corretas: (1) dependendo da maneira como a pessoa está pensando, químicos são liberados provocando uma baixa no sistema imune, tornando o corpo mais vulnerável a células cancerígenas, e (2) os químicos liberados pelo pensamento poderiam ligar e/ou desligar partes do DNA, dependendo da quantidade, qualidade, duração, constância e freqüência de determinadas formas de pensar.
As possibilidades de auxílio no tratamento do câncer através da psique, com ou sem hipnose, são as seguintes, pelo menos por enquanto, alguns autores podem, de forma simplória, chamar a todas essas possibilidades de Efeito Placebo: (1) melhorar o sistema imune através de psicoterapia, neutralizando e/ou alterando as formas de pensar que poderiam ter baixado o sistema imune e/ou (2) ligado ou desligado genes que teriam provocado o câncer, (3) diminuir e/ou neutralizar efeitos colaterais de algumas formas de tratamento como a quimioterapia e/ou (4) diminuir a dor do paciente com câncer em conjunto ou não com anestésicos ou analgésicos.
Lembrando, entretanto ser transe o pensar de forma intensa e coerente, e hipnose formas específicas, intensas e coerentes de pensar. Em ambas as situações, por causa da alta atividade psíquica, há um aumento da liberação de químicos no corpo provocado pelo pensar, o qual, caso seja terapêutico, pode provocar conseqüências bem-vindas, podendo lesar o corpo caso seja mal-feito.
Por mídia compreenda-se todo e qualquer meio de comunicação, por diferentes razões não se entrará no mérito de ser ou não de massa. Manipulação, no caso, é direcionar alguém a fazer algo sem que perceba. Assim posto, a manipulação na mídia é o ato de levar intencionalmente, através dos meios de comunicação, alguém a fazer algo.
Referente ao intencional, é discutível até onde o redator das notícias (jornalistas e semelhantes) estão lúcidos frente às implicações das exposições das suas idéias. Se as implicações forem más, caso seja com lucidez, são considerados maus, caso não haja lucidez, são apenas brutos com armas na mão.
A mídia pode "criar" guerra, desorganização, impunidade, patriotismo, coragem, prudência, justiça, injustiça, virtudes morais e vícios.
Alguns exemplos da mídia, breves análises e implicações:
Juiz acusado de corrupção na capa de uma das importantes revistas do país - dois lados de uma mesma moeda, por um lado mostra alguém "importante" com a possibilidade de ser punido por seus crimes, por outro, nem mesmo em juizes pode-se confiar. A mídia brasileira, de uma maneira geral, não se cansa de mostrar crimes de todos níveis com constância, freqüência, intensidade e duração. Falta o equilíbrio, na mesma capa poderia ser colocada a foto daqueles com coragem o suficiente para investigar, denunciar e buscar justiça, não importando quem seja. É a inversão da demonstração da maldade para o exemplo da justiça. Ocorre aqui não um pensamento de possível ódio pelo juiz, mas sim de admiração pelos justos.
Jornalista afirma que a mídia não influi nos valores de uma população - Uma clara colocação provavelmente mais maldosa do que ignorante. Afirmar essa idéia equivale a dizer: "as igrejas não influenciam as vidas das pessoas", "o holocausto ocorreu sem liderança", "uma imagem de um soldado calmamente disparando uma bala com a arma encostada na cabeça de um homem torturado, não afeta de alguma forma as pessoas" e tantos outros. Ocorre aqui uma postura infantil de irresponsabilidade frente os próprios atos, além de um desrespeito pelos leitores em diferentes graus. Famoso malandro, talvez o nome mais apropriado fosse Zé Carioca, personagem inventado por um brasileiro, confirmação de um sujeito dos EUA para então voltar ao Brasil, inclusive para os cariocas e ser tido como "o jeitinho brasileiro de ser".
Aqueles com controle da mídia formam valores, opiniões, sentimentos, motivam um bairro, cidade, um país. Muitos deveriam ter mais prudência nas histórias escritas e divulgadas, para aqueles que assim já o fazem essa colocação é desnecessária, a eles peço tolerância com esse texto, aos outros peço apenas maior dedicação aos fatos e uma complexa e corajosa reflexão sobre ética e lucidez.
Levando em conta ainda à postura de muitos filósofos: mais vale o exemplo do que o erro.
Finalmente, por que não fazem reportagens baseadas em bombeiros e semelhantes cujo um de seus éticos e nobres lemas é "Vida por Vidas?" Não vende!?
Viver Bem
Por viver bem compreenda-se fazer bom uso da vida. Todo usar é com alguma finalidade/ sentido, mas qual sentido dar à vida? Diferentes respostas podem ser dadas de acordo com a moral, sendo essa um conjunto de normas de como fazer algo seja de fundamento cristão, muçulmano, budista, das leis ou outro.
Normalmente, a mídia claramente mostra o sentido da vida, ser feliz, e com os produtos vendidos por ela. Para comprar é necessário trabalhar, para tanto é preciso estudar matérias específicas. Assim, a educação é baseada em matérias necessárias para passar no vestibular, entrar numa boa faculdade, achar um "bom" emprego e comprar/ ter o que faz feliz.
São 3 as noções básicas de beleza hoje exaltadas geralmente na mídia, quanto mais rápido e sem esforço forem atingidas, melhor (imediatismo atual): (1) jovialidade, (2) magreza e (3) ser bem sucedido profissionalmente, tornando-se, portanto um nobre consumidor (dentro da moral das vendas), tanto de cosméticos, quanto de carros novos, corpos firmes, jovialidade e outros.
Em outras palavras, é considerado belo aquilo que se refere a gastar dinheiro, se vendesse mais ser gordo do que ser magro, mais aparentar ser idoso do que jovem mais a felicidade do que o medo, a virtude do que o vício, "o certo do que o errado", a coragem do que o medo, e assim por diante, propagandas referentes a esses temas já teriam sido encomendados através de músicas ("A Garota de Ipanema" não tinha um ar de sabedoria no balançar do seu dourado corpo), poemas ("Tudo vale a pena se a alma não é "pequena" esse tudo inclui viajar e morrer em prol não se sabe do quê), novelas, jornais, filmes e outros. Por que em uma capa de uma revista conhecida aparece um juiz criminoso, mas não aqueles que lutaram, superaram a si e trabalharam para fazer justiça?
A moral é e sempre foi ditada por aqueles que controlam a comunicação, dizendo ser em prol dos emissores e/ou receptores, seja como for, eles as regem. Por isso a mídia vale tão pouco. A moral geral da mídia é simples: siga a felicidade, fuja da dor. Diga-se de passagem, dirá com o quê ser feliz e ter dores, vendendo logo em seguida ou concomitantemente, como seguir e fugir.
Fala-se muito, inclusive na mídia, de buscar relacionar-se com as pessoas, não colocam, entretanto quais as virtudes necessárias para tornar relacionamentos longos, bons e duráveis, por exemplo: aprender a observar o outro, temperança, paciência, tolerância, justiça, fidelidade, lealdade, nobreza, ética, exercício, disciplina, saber dizer não a prazeres e sim a dores, até pela possibilidade de maiores prazeres e menores dores depois, aprender a questionar os próprios sentimentos e os próprios sonhos.
A Liberdade de Pensamento não é vendável, até porque ela é a possibilidade em última - ou primeira - análise, de formar em si a própria educação. Além de ser muito mais difícil, questionável e inseguro do que seguir as normas expostas pelas "novelas". Aprender a ser livre é aprender a educar a si, formando seus próprios critérios, sentimentos, comportamentos, é tornar-se dono de si, governador das próprias expectativas e medos, até para decidir pelo quê vale a coragem.
Algumas virtudes são necessárias para se tornar o próprio mestre, a primeira talvez possa ser saber que o sentimento vem do pensamento. Entender alguém e a si é entender os pensares e como esses governam todas as escolhas, sentimentos, expectativas, sonhos, medos, ansiedades, angústia e outros. Sendo também necessária prudência, lucidez, paciência, temperança e outros.
Psicólogo Clínico - CRP 06/62416-3
Psicologia na Atualidade
Por psicologia compreenda-se o estudo da psique. Por psique compreenda-se, de acordo com a Hipnoterapia Educativa, o uso dos sentidos juntamente com o instinto, sendo esse o movimento de busca de sensações agradáveis e fuga de sensações desagradáveis. Essas sensações agradáveis ou desagradáveis não são impressas geneticamente, poucas serão descobertas, as outras serão aprendidas. Sendo todas mutáveis, bloqueáveis e intensificáveis. Por exemplo: fome é uma sensação desagradável, com o tempo a criança descobre formas de finalizá-la, entretanto, numa sociedade cuja noção de beleza é ser magra, cada possibilidade de perda de peso pode ser considerada desejável, podendo tornar a fome uma fonte de prazer.
Compreender e intervir, da forma mais rica possível, no espírito de alguém. Talvez dessa forma possa ser compreendida a missão de um psicoterapeuta. Não basta entender, nem ter claras estratégias, deve-se saber pensar sobre o conteúdo a ser proposto para o paciente. Por exemplo: alguém com Síndrome do Pânico, não é suficiente entender os por quês do problema, nem saber como alterar a psique do paciente, mas sim com quais idéias. Assim posto, em termos lineares, o estudo da psicologia poderia ser assim dividido em termos didáticos, embora muitas vezes avesso ao imediatismo:
- metodologia : estudar como criar e/ou pensar (epistemologia) um método já existente;
- método : forma de compreender ou fazer algo, no caso, especificamente, como entender o Ser Humano;
- diagnóstico : baseado no método utilizado, compreender os por quês de alguma situação indesejável;
- meta : pensares a serem propostos em psicoterapia de maneira a superar a situação indesejável;
- estratégia : forma de atingir a meta.
A melhor psicoterapia será a mais rica no menor tempo possível. Importante salientar aqui a noção de riqueza, compreendida enquanto complexidades acerca do viver. Houve, nesse momento, a quebra de que para a psicoterapia ser boa, ela deve ser longa, a resposta melhor talvez fosse, ela deve ser baseada numa excelente estratégia com uma bela meta e bem adaptada ao paciente.
A psicoterapia, por muito tempo, no Brasil, foi relegada ao mero exercício da explicação e não da mudança, criando muitas vezes uma fictícia e não-comprovada visão do Ser Humano, empobrecendo a compreensão, o diagnóstico, a meta e a estratégia.
Há diferentes posturas de empobrecimento do Ser Humano, uma das maiores é propor o sentimento como independente do pensamento, quando há essa crença, há uma perda da possibilidade de influência de um indivíduo perante si mesmo, tornando-se escravo da própria ignorância, ou seja, sem possibilidade de autogoverno. Outra postura, nos mesmos termos, foi à invenção da dicotomia mente consciente e mente inconsciente/ subconsciente, onde uma é governável por si e a outra não, respectivamente, é a ditadura da ignorância claramente exposta e muitas vezes assumida pelos próprios profissionais, mostrando com um tom de (pseudo-)ciência como os indivíduos vivem, tornando-os impotentes frente eles mesmos, seus passados e aprendizagens, condenados a terem os problemas atuais por toda as suas vidas. O mesmo vale para posturas onde o ambiente controla o indivíduo, outra postura escravagista, o Homo sapiens é aqui, feito e controlado pelo independente dele, tornando-se aqui um mero ratinho.
É uma questão de Liberdade de Pensamento, tornar-se senhor dos próprios sentimentos, morais, sentidos, dores, prazeres, raciocínios, reflexões e ações. Possibilidade essa bastante limitada, quando não assassinada, por métodos de compreensão e intervenção no Ser Humano.
A Psicologia para a Atualidade talvez possa ser escrita com o fim "real-izável" da Liberdade de Pensamento, valendo ainda lembrar que a palavra Liberdade tem como raiz Líber, a mesma de Livro, portanto de conhecimento, questionamento e reflexão.
Hipnose na Atualidade
Por psique compreenda-se a utilização dos sentidos, de duas formas ocorrem: (1) apreensão - contato imediato com a realidade e (2) raciocínio - junção de contatos imediatos passados, presentes e/ou junções passadas. Dar coerência às essas junções dá-se o nome de pensar .
Pesquisas mostram que quanto maior a atividade psíquica, maior a liberação de químicos secretados no corpo devido essa, assim como maior a memorização e rede neural criada.
A atividade do pensar pode aumentar ou diminuir dependendo de 3 aspectos básicos: (1) auto-regulação, governada pela genética; (2) ambiente, como psicotrópicos, alterações no clima (e outros) e/ou (3) alterações na psique como prazer, dor e moral.
Os sentimentos aqui são compreendidos como a "leitura" agradável, desagradável ou indiferente do que acontece embaixo da pele, ou seja, pelo tato. O caminho do sentimento assim ocorre: (1) alguma apreensão ou raciocínio altera a química do corpo (maior a intensidade maior a quantidade), alterando inclusive a rede neural e (2) quando "lida" as alterações fisiológicas em seguida pelo tato, ganha o nome de sentimento , o qual, para ser definido, busca-se fazer o caminho inverso para então perceber a forma de pensar provocadora do sentimento.
Maior a atividade psíquica menor a necessidade de repetição para criar uma complexa e intensa rede neural. Uma vez gravada determinada atividade, uma breve apreensão e/ou raciocínio pode provocar uma série de alterações no corpo, o qual seria por sua vez chamado de pensamento automatizado (noção mais complexa, mas semelhante ao reflexo condicionado de Pavlov).
Exemplo: um soldado acaba de desembarcar no front em meio a uma guerra, ouvindo tiros incessantes, assim como suas possibilidades constantes (vividas através dos sentidas) de morrer, provocando altas atividades psíquicas pelas liberações de adrenalina e outros. Com o tempo apenas um simples estampido de algo sendo aberto pode provocar um acesso à rede neural, a qual por sua vez secretará uma série de movimentos e químicos no corpo (pensamento automatizado), uma vez "lidos" provocarão sentimentos, colocando o corpo em alerta. O mesmo podendo ocorrer com diferentes violências, e também prazeres.
Ao processo de intenso apreender e/ou raciocinar de forma coerente dá-se o nome de transe . Assim, trauma (aprendizagem dolorosa e intensa) é um transe onde aprendizagens indesejáveis ocorreram. Podendo esse mesmo processo ser repetido em psicoterapia, mas para aprender formas mais saudáveis de lidar consigo e com a vida.
Ao processo de raciocinar de forma intensa, coerente (caso contrário, poderia ser compreendido como psicopatologia) e específica (os quais são os próprios fenômenos) dá-se o nome de hipnose. Alguns desses fenômenos: hipermnésia (lembrar-se de maneira nítida de certas coisas), regressão de idade (voltar a viver determinadas idades pensando da mesma forma daquela época, fenômeno menos compreendido em termos neurofisiológicos), amnésia (esquecer induzido), alucinações (pensar existir o que não é real, mas levar o cérebro a acreditar, alterando a neurofisiologia baseada nessa crença), anestesia (inibir corticalmente uma sensação), analgesia (amortecer as sensações, inclusive de dor e toque), signo-sinal (tornar um estímulo como um estalar de dedos provocadores de um ou mais desses fenômenos) e outros. O processo de hipnoterapia é, portanto, cuidar ou curar através desses pensares intensos, coerentes e específicos.
A utilização de transe ou hipnose em psicoterapia ou na área psicossomática, por psicólogos ou psiquiatras, tem sido com os mais variados quadros. Devendo haver especial cuidado para indivíduos com dificuldade de manter um raciocínio coerente como psicose e dependência química, média ou grave.
Referente à medicina, o principal uso é com dor em situações de pré, durante e pós-cirurgia, assim como para dor crônica ou aguda, recorrente ou não. Podendo inclusive trabalhar com dor no membro fantasma e memória de dor. Ambas sendo possíveis por utilizar a mesma intensidade com que a rede neural foi criada podendo ser feitas tantas repetições quanto necessárias.
Portanto, aprender a utilizar transe ou hipnose pode trazer inúmeros benefícios, quando feita de maneira prudente e lúcida, seja para a área de psicoterapia, psicossomática e/ou dor. Além de possibilitar muitas pesquisas no campo da psicologia, psiquiatria, psicossomática e neurologia.
Depressão
Por depressão compreenda-se uma tristeza intensa, constante, freqüente e duradoura. Essas variáveis são juntadas a outras como alguns pensamentos, não necessariamente presentes: baixa auto-estima e falta de sentido para a vida e outros.
Durante essa situação diferentes alterações químicas ocorrem no cérebro, como de Serotonina e Dopamina. Existem duas origens comumente expostas para explicar a ocorrência: secreções errôneas dos químicos e/ou psique.
A tarefa da psiquiatria é regular os químicos de maneira a trazer um bem-estar ao paciente, a da psicoterapia é alterar a forma de pensar deste de maneira a possibilitar um viver melhor, tendo como efeito o equilíbrio químico. Os remédios são indicáveis em quatro situações: (1) principal razão para o desequilíbrio químico de origem orgânica, (2) probabilidade de lesar a si ou outros, (3) debilitação psíquica dificultando a psicoterapia em si e (4) enquanto não for possível psicoterapia, seja por qual razão for, no mínimo para tratamento paliativo, ou seja, sem intenção de cura.
Algumas indicações que podem significar problema de origem psíquica: algum acontecimento significativo e dolorido em época similar ao do começo da tristeza; perdas importantes sejam por morte ou percalços da vida; acreditar ser, de alguma destemperada forma, ruim e/ou com defeitos; ser intolerante consigo e outros e tantas outras possibilidades.
Alguns valores comuns expostos na mídia que podem provocar tristeza, de forma primária ou secundária: estimar o que não tem e/ou é; estética feminina - embora se alastrando para a masculina - onde a beleza é ser jovial e magra, sendo feio envelhecer, podendo tornar esse um tormento; pouca ou nenhuma valorização de virtudes que permitam, intensifiquem, tornem duradouros e/ou melhorem relacionamentos, como ética, justiça, prudência, temperança, humor, boa-fé e assim por diante, dificultando relação pai-filho, homem-mulher e outros (o amor não é duradouro nem cresce quando faltam virtudes).
Presidente do Instituto Milton Erickson de São Paulo Psicoterapia com Crianças,
Com ou sem Hipnose
Transe é pensar de maneira intensa e hipnose é o nome dado a diferentes fenômenos induzidos durante o pensar intenso. Pode-se pensar hipnoterapia com crianças a partir de basicamente 3 aspectos: pensar intensificado, hipermnésia e pseudo-orientação no futuro. Colocando que a forma mais eficiente de tratá-las será através de histórias, colocando-as em transe com essas.
Por crianças compreender-se-á desde os indivíduos capazes de compreender algumas palavras com poucos meses de idade até uma nomenclatura qualquer (pré-adolescência, adolescência, idade adulta e outros) baseada em fisiologia, idade, forma de ser ou qualquer outro aspecto arbitrário.
A psique das crianças se difere da dos adultos por distintas razões: (1) finalização da formação do sistema nervoso, geralmente aos 7 anos, embora obviamente havendo formação de rede neural; (2) menos referências de apreensões e raciocínios; (3) referências utilizadas menos vezes do que a de quando serão adultas, (4) noção de diferenciação de apreensão (fatos objetivos) e raciocínio (fatos subjetivos) relativamente baixa e (5) poucas experiências (utilização da apreensão e raciocínio).
As mesmas necessidades em psicoterapia com adulto são verificáveis com crianças: buscar um diagnóstico (formas de pensar que provocam o problema), meta (o que é quisto que a criança pense) e intervenção (forma de atingir a meta).
Baseado nessas idéias, portanto, o seguinte processo é indicado no trabalho com crianças:
1- diagnóstico: vale comentar ser este a forma de pensar que provoca o problema ou não possibilita a resolução dele, sendo então a pergunta: como descobrir a forma de pensar de uma criança que provoca as dores ou impede de lidar com elas de forma mais saudável? Levando em conta a Realidade Individual (RI) da criança, a resposta deve ser: criar situações onde o paciente, dentro da sua RI mostrará as suas idéias e formas de organizá-las. Algumas formas de possibilitar um diagnóstico podem ser: (1) pedir para contar uma história baseada em um desenho qualquer dela, ou qualquer outra figura, podendo intencionalmente mostrar algo que seja facilmente remetido por ela às pessoas com as quais convive e/ou situações passadas, perguntando o que ocorre, ocorreu e/ou como talvez ela gostaria que ocorresse. Aqui podendo ser identificadas aprendizagens dolorosas, situações indesejáveis e/ou faltas, percebidas ou não pela criança.
Notas :
- esse não é um processo de interpretação baseado em como as crianças funcionam, mas como aquele indivíduo com pouca idade pensa, não há uma noção de movimentação psíquica a priori , ela é na sua essência formada pela forma de pensar dela, observada pelo terapeuta;
- devido ao fato de crianças poderem ter facilidade para confundir apreensões e raciocínios, ou seja, "realidade" e "fantasia", é necessário haver um cuidado triplicado acerca de inferências sobre o passado ou situações atuais da criança, de forma a não ser provocada pseudomemória de maneira não intencional, nem tampouco iatrogenia;
- pode ser importante pedir à criança para falar quais as frases e situações mais comuns ouvidas e/ou vistas no dia a dia, essa possibilidade é uma das formas de criar hipóteses sobre aprendizagens que possa estar tendo.
2- meta: entendo-se essa como a forma de pensar refletida pelo terapeuta, em conjunto e/ou a partir dos pais ou não, ela deve ser feita a partir do diagnóstico, o qual pode ser pensado de 2 formas básicas: aprendizagens indesejáveis e/ou falta de aprendizagens necessárias para lidar com as dificuldades atuais.
- a suposta neutralidade do terapeuta referente a qualquer situação é fictícia, de alguma forma ele interferira, com auxílio e/ou através dos pais ou não. Assim posto, admitir a sua responsabilidade frente ao bem-estar daquele indivíduo é fundamental, até mesmo porque, de diferentes maneiras, a noção passada à criança pode ser tornada referência por toda a sua vida;
- quanto mais o terapeuta influir na vida de alguém, mais ele deve, no mínimo, ter questionado sobre possíveis formas de viver bem e não ter apenas uma.
3- intervenção : esse é o processo de atingir a meta, para tanto, é necessário saber os recursos disponíveis para tal objetivo, assim como possíveis obstáculos. Devido ao fato de crianças terem em geral grande influência daqueles que a circundam, deve ser feita uma lista de quem estaria disposto a participar da terapia, pai, mãe, babá, amigos, avós, familiares, empregadas e qualquer outra pessoa disponível para o trabalho em questão.
A outra parte do levantamento é ter claras as coisas comuns à criança no dia a dia, assim como as sapiências dela, afim de utilizá-las na intervenção.
Nota :
- as quatro formas mais comuns (não únicas) de intervir com crianças em Psicoterapia Estratégica, no caso, são: (I) histórias, (II) tarefas para ela e/ou auxiliares cuidadosamente preparadas, (III) pseudo-orientação no futuro para firmar aprendizagens saudáveis e/ou recursos e (IV) hipermnésia, devendo ser essa feita a partir de alguns critérios: (1) se for direcionada a aprendizagens indesejáveis já sabidas, deve haver a prudência de verificar as condições da criança de aprender a lidar de forma mais saudável com elas; se (2) não for sabido o que ocorreu, ter claros os recursos das diferentes idades para saber conversar com ela nessas situações devido a situações inesperadas e (3) reafirmar recursos.
Vale colocar duas reflexões nesse ponto, (1) o quê significa ser virtuoso e se pode (2) existir algum sistema de valorização do Ser Humano ignorante acerca da necessidade de conhecer bem a si e ao outro.
REPORTAGENS
HIPNOSE INVADE CONSULTÓRIO MÉDICO E CAI NO GOSTO DOS PACIENTES
LUCIANA SOBRAL
A técnica vem sendo utilizada como tratamento coadjuvante de várias doenças, entre elas traumas, disfunções sexuais e depressão. Mas, os especialistas alertam: procure profissionais capacitados.
Ao contrário do que a ficção muitas vezes retrata, a hipnose não é uma técnica esotérica ou religiosa. Longe disso. Ela está cada vez mais presente nos consultórios médicos e psicológicos, atuando como coadjuvante no tratamento de diversas doenças, principalmente aquelas de fundo emocional, também chamadas de psicossomáticas. "A lista de enfermidades é enorme. A hipnose pode atuar no tratamento de fobias, síndrome do pânico, dependência de álcool e drogas, tabagismo, gastrite, sudorese, depressão, ansiedade excessiva, problemas sexuais, alívio da dor e até mesmo em problemas nas articulações", explica a especialista Denise Gimenez Ramos, coordenadora do curso de pós-graduação de Psicologia Clínica da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP). Apesar de sua eficácia ter sido reconhecida pela sociedade médica há três anos, a técnica ainda provoca certa resistência nas pessoas. "É um assunto que deixa muita gente curiosa, mas ao mesmo tempo, causa certo medo. Todo mundo se faz aquela pergunta: será que eu consigo voltar da hipnose?", comenta o hipnoterapeuta Bayard Galvão, presidente do Instituto Milton H. Erickson de São Paulo. Segundo ele, a hipnose é uma técnica bastante segura quando aplicada por profissionais capacitados. "Não há com que se preocupar, desde que o paciente confie no especialista e que este seja treinado", garante. Quem concorda com ele é a psicóloga Denise. "Se for utilizada por quem não entende do assunto, a hipnose pode piorar a doença", lembra. Definição A hipnose é o nome dado a um conjunto de fenômenos específicos do pensamento, que deixam a pessoa em estado de relaxamento semiconsciente. O transe é induzido de maneira gradual pelo especialista, fazendo com que o paciente lembre de forma nítida pensamentos passados. "A profundidade da hipnose vai depender de cada pessoa, podendo ela lembrar de coisas recentes ou até mesmo de situações de sua infância, que podem explicar um trauma ou doença atual. Neste último caso, o transe já se transformou em regressão, outro fenômeno hipnótico", diz a psicóloga. Por enquanto, os estudiosos ainda não descobriram ao certo como a técnica influencia as funções cerebrais. Uma das hipóteses é a de que a hipnose mexe com os mecanismos de atenção do cérebro, localizados na parte basal (tronco cerebral). De acordo com Bayard, grande parte das pessoas consegue entrar em transe, sendo que algumas têm mais dificuldades para alcançar etapas profundas. "Para ser hipnotizado, o indivíduo precisa ser capaz de focar sua atenção", afirma. Experiência Foi somente depois de seis sessões de hipnose que a advogada Alicir Aparecida Marconato, de 50 anos, conseguiu sair de um processo depressivo. "Eu chorava compulsivamente por pouca coisa, além de ficar estressada e ansiosa", conta. "Meus médicos avisaram que todos os meus problemas de saúde tinham fundo psicológico. Então, resolvi encarar a hipnose e hoje me sinto bem melhor." A advogada foi aconselhada por um médico a procurar ajuda de um hipnoterapeuta. "Pensei que teria medo, mas as sessões foram muito tranqüilas", finaliza.
TERRA EM TRANSE
Cresce o interesse pela hipnose, técnica usada para anestesiar e ajudar no tratamento de fobias a traumas sexuais.
Lia Bock
Nada de incômodas injeções de anestesia ou longuíssimas terapias para tratar uma fobia ou controlar a ansiedade. Muitos médicos e pacientes estão substituindo essas técnicas convencionais pelo uso da hipnose, método usado desde a antiguidade para ajudar na cura de doenças. Sob estado hipnótico, é possível induzir o indivíduo a não sentir dor durante partos ou procedimentos dentários e também ajudar pessoas a se livrarem de angústias e neuroses de forma mais rápida. A utilização da técnica está despertando tanto interesse que o Conselho Federal de Psicologia foi obrigado a regulamentar seu uso, há um ano. A entidade seguiu o exemplo dos Conselhos de Medicina e de Odontologia, que já endossaram a técnica há mais tempo. O objetivo é garantir que a hipnose - segura e eficaz - seja aplicada corretamente e por profissionais qualificados. A iniciativa é compreensível. Afinal, a hipnose é uma técnica bastante séria que age em uma área pouco conhecida do ser humano - a mente. E ainda não se desvendou completamente sua forma de ação. O que se sabe é que o método altera o padrão de consciência, facilitando o afloramento de conteúdos existentes, mas que não estão presentes em estado consciente. Para que isso aconteça, é preciso haver uma indução, feita pelo profissional. A maioria utiliza a própria voz para dar os comandos e alguns usam o pêndulo, objeto símbolo da hipnose. Seu movimento contínuo e lento ajuda o indivíduo a se concentrar e a ficar sob hipnose. Essa indução não é mágica. Ela é resultado de uma técnica apurada aplicada pelo hipnotizador. O transe nada tem a ver com relaxamento. Na hipnose, o movimento cerebral é intenso, enquanto no relaxamento há uma diminuição da atividade dos neurônios. Com o paciente hipnotizado, o profissional dirige o raciocínio do indivíduo de acordo com a finalidade do tratamento. Se o objetivo for anestesiar, o médico estimula o paciente a evocar uma sensação de anestesia já registrada no cérebro. Pede, por exemplo, que o indivíduo se lembre do que sentiu quando ficou com a mão dormente. A partir dos comandos do hipnotizador, essa sensação é transferida à região a ser tratada - a boca, por exemplo, nos casos de procedimentos dentários. Mas a forma como esses pensamentos se traduzem em estados físicos - não sentir a dor, por exemplo - ainda não está esclarecida. Atingido o objetivo, o profissional realiza o trabalho. Para manter o paciente hipnotizado, é necessário que ele seja estimulado o tempo todo. Caso contrário, o transe acaba. Uma das utilizações mais comuns da hipnose tem sido substituir a anestesia. Já há partos sendo realizados com a ajuda do método, mas a técnica é mais frequente nos consultórios dentários. É uma alternativa para quem tem medo de injeção, gestantes e outras pessoas que não podem ter contato com os anestésicos. Em alguns casos, ela é usada até para acalmar os mais medrosos. "Uso o método para fazer com que pessoas que sofrem por causa do barulhinho do motor não o escutem", conta o dentista e cirurgião buco-maxilo-facial Cláudio Antônio Gargione, professor da Universidade de São Paulo. Gargione usa o método há 14 anos e se especializou na utilização da técnica para o atendimento a pacientes com distúrbios mentais e portadores de paralisia cerebral. O estudante Ricardo Vilar, 20 anos, contou com a ajuda de Gargione ao ser submetido a uma cirurgia para corrigir o nariz fraturado realizada sob estado hipnótico. Não que tivesse optado por isso, mas em virtude de uma casualidade. Ricardo fraturou o nariz em uma briga. Mas era noite e o anestesista do hospital procurado não estava disponível. Foi então sugerido por Gargione, que faria a operação, que se usasse a hipnose. O estudante e sua família ficaram receosos, mas resolveram tentar. O dentista chamou o hipnólogo e amigo Fábio Puentes, conhecido por demonstrações na tevê, para ajudá-lo. Com mais de 40 anos de experiência, Puentes se responsabilizou pela hipnose e Gargione pela cirurgia. Vânia Vilar, mãe de Ricardo, admite que não acreditava na eficácia do método. Mas tudo correu bem. "Lembro-me de tudo. Estava acordado, mas não sentia dor. Meu nariz estava realmente anestesiado", disse Ricardo. Na Universidade Federal de São Paulo, especialistas usam a técnica para auxiliar no combate à dependência de cigarro, no controle de tiques nervosos, na diminuição do stress e no tratamento de traumas sexuais. Nesses casos, a hipnose ajuda o paciente a modificar uma determinada forma de pensar ou a identificar bloqueios relacionados aos problemas. Não é por acaso que um dos melhores resultados obtidos com a ajuda do método é no tratamento do vaginismo absoluto psicogênico. A doença atinge mulheres que, mesmo sem apresentarem impedimentos orgânicos, não conseguem permitir a penetração do pênis durante o ato sexual. "A técnica auxilia essas pacientes a encontrar a origem da dificuldade e, aos poucos, superá-la", explica Osmar Colás, coordenador do Grupo de Estudos de Hipnose da universidade paulista. Em geral, os resultados aparecem depois